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Malnutrição pode evoluir de epidemia para pandemia

Mais de um terço dos utentes que entram em lar estão mal nutridos, uma número que é semelhante aos que dão entrada no hospital

A malnutrição já é uma epidemia, mas pode tornar-se numa pandemia. A constatação é de Aníbal Marinho, presidente da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, que ontem discursou na sessão de abertura das Jornadas da Sensibilização para a Malnutrição, que tiveram lugar no salão nobre da Santa Casa da Misericórdia de Arganil.

«Quando falamos de malnutrição associamos mais às pessoas idosas e aos doentes e isso já é uma epidemia» afirmou Aníbal Marinho, ressalvando, contudo, que «vai ser uma pandemia e cada vez maior, porque neste momento, quando falamos de malnutrição, falamos também de pessoas obesas que fazem dietas que levam ao emagrecimento súbito, que não fazem exercício físico e, que por isso, além da massa gorda também perdem massa muscular». Ou seja, sublinhou o dirigente, «a malnutrição está a afetar não só pessoas idosas e doentes, como pessoas de todas as idades, que emagrecem rapidamente».

O médico destacou ainda a importância do exercício físico essencialmente nos seniores, porque quebra o isolamento e evita a perda de mobilidade. «Se ficarmos dependentes de alguém, perdemos logo qualidade de vida», alertou, solicitando à autarquia de Arganil, representada pela vereadora Elisabete Oliveira, que promova atividade física para os idosos.
Na sessão de abertura, conduzida pelo vice-provedor e diretor-geral da Santa Casa da Misericórdia de Arganil, Nuno Gomes, interveio também Paulo André, que partilhou alguns números relacionados com a malnutrição.

Mais de um terço dos utentes que entram em lar estão mal nutridos e isso também é muito comum nos hospitais», começou por informar o diretor clínico da Santa Casa da Misericórdia de Arganil, esclarecendo ainda que «cerca de 35% dos utentes que entram a nível hospitalar estão malnutridos e ao nível do Centro de Saúde cerca de 11%».

Ainda assim há boas notícias. «A malnutrição é potencialmente reversível se for tratada atempadamente e podemos tratá-la, aumentando o aporte calórico e protéico dos utentes, recorrendo aos suplementos orais e com as pessoas a fazerem exercício físico para ganharem massa muscular», pormenorizou.

Malnutrição é potencialmente reversível se for tratada atempadamente

Paulo André recordou ainda que a malnutrição «é um problema que faz perder peso de forma involuntária e principalmente músculo e, assim, as pessoas ficam mais frágeis perante determinadas doenças, as feridas não cicatrizam tão bem e se tiverem quer ser internados ficam mais tempo internados e isso também tem mais custos».

A vereadora Elisabete Oliveira garantiu que o Município de Arganil tem «muitos projetos de apoio ao nível da área alimentar», bem como «respostas de proximidade no terreno, com o trabalho efetuado em articulação e parceria com as IPSS do concelho» que são «essenciais para dar essa resposta de proximidade».

Durante o dia, foram abordados temas como “Sensibilização para a malnutrição e semana da malnutrição”, “Reabilitação Cirúrgica, preparar o doente para a nutrição”, “Rastreio da Malnutrição e particularidades em ERPI”, “Abordagem da Obstipação e Diarreia” e “Abordagem e tratamento da malnutrição”.

Julho 1, 2026 . 10:46

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