
A ciência “é um dos pilares das democracias modernas”
A ex-ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, deu o pontapé de saída no ciclo de conferências “Cidadania, liberdade e democracia no século XXI”, iniciativa inserida no projeto “Jaime Cortesão Intelectual, Historiador e Resistente: Memória, Exposição e Musealização” (2026–2029), que procura promover a reflexão sobre os desafios da cidadania ativa nas sociedades democráticas contemporâneas, inspirando-se no legado de Jaime Cortesão enquanto intelectual, historiador e resistente.
A cientista abordou o papel da ciência e da inovação na construção de sociedades mais informadas, participativas e democráticas, destacando a importância do conhecimento como instrumento essencial para o exercício de uma cidadania consciente e para o fortalecimento das instituições democráticas.
«Vivemos numa época em que o conhecimento se tornou o recurso mais valioso das sociedades», lembrou a ex-ministra, a propósito do tema do ciclo de conferências, “Cidadania, liberdade e democracia no século XXI”. «Hoje em dia, um dos principais fatores do desenvolvimento é a capacidade que temos de gerar conhecimento, transformá-lo em inovação e, acima de tudo, colocá-lo ao serviço de todos nós. Por isso, acredito que a ciência é um dos pilares fundamentais das democracias modernas e da liberdade, e contribui para a qualidade das políticas públicas», referiu Elvira Fortunato, lembrando ainda que «uma democracia saudável depende de cidadãos capazes de analisar informação, distinguir factos e opiniões e tomar decisões informadas».
«Mais do que nunca, precisamos de uma sociedade que valorize o conhecimento, porque a melhor forma de preparar o futuro não é prevê-lo, é construi-lo através da educação, da ciência e da participação cidadã», alertou ainda Elvira Fortunato.
"Uma democracia saudável depende de cidadãos capazes de analisar informação", defendeu a ex-ministra
A abrir a sessão, o vice-presidente da Câmara Municipal com o pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, justificou o projeto dedicado a Jaime Cortesão «não apenas como um ato de justiça histórica, mas também enquanto dever cívico de preservação dos valores democráticos pelos quais ele [Jaime Cortesão] tanto lutou». «A vastidão de domínios que cobriu merece ser sublinhada e por isso reitero aquilo que os especialistas académicos referem relativamente à obra de Jaime Cortesão: nada nele era volátil ou fortuito», enfatizou.
Pedro Cardoso agradeceu a presença de Elvira Fortuna no arranque deste ciclo, adiantando que, ao longo do ano, outras personalidades de reconhecido mérito contribuirão para aprofundar a reflexão em torno dos desafios da cidadania, da liberdade e da democracia no século XXI.
Antes de conferência, também António Rafael Amaro, curador do projeto dedicado a Jaime Cortesão, destacou que com este evento «Cantanhede contribui para a preservação histórica de um dos seus maiores».
Sobre a escolha de uma das mais reputadas cientistas da atualidade para esta primeira conferência, o também professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra referiu que «o objetivo era dar voz a alguém que simboliza exemplarmente a ligação entre a ciência, conhecimento e responsabilidade pública».










