
Podentes brinda à excelência dos Vinhos Terras de Sicó
«Um dia bem passado e boas vendas!». As curtas palavras da presidente da Junta de Freguesia de Podentes, Anabela Santos, dizem tudo o que importa.
Trata-se de juntar produtores, comunidade e visitantes e promover os néctares de excelência que ali ganham corpo.
Esse é o grande objetivo da Vinália, uma festa que faz honras ao vinho e que ontem teve a sua 16.ª edição.
Uma festa inspirada nos costumes e na vivência dos povos romanos, cujas marcas estão presentes no território e que Eduardo Nogueira dos Santos, presidente da Câmara Municipal de Penela, lembrou.
«Os romanos celebraram as boas colheitas e o bom vinho», disse o autarca, que enalteceu a mais--valia desta cultura vitivinícola e o seu impacto na economia local, mas também o saber acumulado de sucessivas gerações que lhe deram forma.
«Cada uma desta garrafas representa o esforço de muitas gerações», disse, salientando este arco de ligação entre o vinho, a terra, a comunidade e «o saber transmitido de geração em geração».
Uma palavra ainda para a Vinisicó e o seu presidente, num elogio ao grande trabalho que tem sido feito em nome do vinho. «Hoje Podentes é a capital do vinho», disse ainda Eduardo Nogueira dos Santos, para salientar o «envolvimento da comunidade, que representa gerações de um saber acumulado» e dá sentido a este evento e a uma cultura «que queremos preservar».
«Mais vinhos a concurso, mais vinhos certificados» são, no entender do autarca, os desafios para garantir o futuro dos Vinhos Terras de Sicó.
Álvaro Simões é um exemplo dessa «tradição engarrafada», representada pela Adega Almasim. Uma herança de família, com três hectares de vinha, de que continua a cuidar.
A última colheita «foi excecional», porque ao “terroir” único, caracterizados pelos solos cársicos, juntou-se uma «amplitude térmica que ajudou a uva a ganhar muito açúcar e os infestantes foram facilmente controlados», explica.
A Vinália é importante, porque «não tendo nós escala para estar em grandes certames, este evento ajuda-nos a promover os nossos vinhos».
Um elogio para a organização, que tem promovido «novas abordagens» e feito uma aposta certa na aliança entre os vinhos e as iniciativas culturais.
Amélia Simões representa a Casa d’ Alfafar, um projeto que começou com o marido, Rui Simões, falecido há quatro anos, que as duas filhas fazem questão de continuar. Carla Ramos, da Adega Monte Formigão, representa a quarta geração ligada ao vinho.
São 5 hectares de vinha, sobretudo Baga e Fernão Pires, que dão vida a brancos, tintos, rosés e espumantes. «A Vinália é importante, é uma montra de divulgação da nossa aldeia e do que aqui produzimos», diz.
Mais produtores, melhor vinho e com da vez mais qualidade é o balanço que o enólogo Gonçalo Moura da Costa, presidente da Vinisicó, faz de mais um concurso, cujos prémios também foram ontem entregues.
Foram 13 tintos e seis brancos concorrentes e os primeiros dois prémios foram para os tintos de Maria Helena Bernardo Luís e Teresa Maria Alves Bento. Em terceiro lugar ficou o vinho branco de José Augusto Mendes Fernandes.
O certame não se faz só de vinho. Há artesanato e outros produtos endógenos. Maria de Jesus Rodrigues traz do Rebolbito, onde reside, queijo de ovelha e de cabra que faz já perdeu a conta ao tempo, assim como à sua idade.
Certo é o rebanho, com 10 animais, a presença no mercado de Penela e o de Avelar e, naturalmente, a sua participação na Vinália.
Também com muito anos de certame, seguramente 12 ou 13, está Lucília Agra, de Besteiro, cujos enchidos enchem o ar de um aroma delicioso. Tem também Queijo Rabaçal, broínhas e pão caseiro de trigo e centeio.










