
44% dos utentes das urgências do SNS foram atendidos a tempo em 2025
Menos de metade dos utentes que recorreram às urgências do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2025 foram atendidos dentro dos tempos máximos recomendados, evidenciando dificuldades persistentes no atendimento atempado, segundo o relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP) apresentado em Lisboa.
O CFP concluiu que, durante o último ano, os serviços de urgência e o internamento hospitalar continuaram a enfrentar vários constrangimentos estruturais já observados em anos anteriores.
De acordo com o documento, apenas 44% dos episódios de urgência cumpriram os tempos máximos de atendimento recomendados pela triagem de Manchester, o que demonstra “dificuldades persistentes na capacidade de resposta atempada” desses serviços hospitalares.
Apesar destas dificuldades, verificou-se uma “ligeira melhoria” na respetiva resposta em 2025, com uma redução de 7,2% no número de episódios de urgência e uma diminuição da proporção de casos classificados como pouco urgentes — pulseiras azuis, verdes e brancas.
O CFP reconhece que “esta evolução poderá refletir uma utilização mais adequada destes serviços” e indica que a proporção de episódios que resultaram em internamento manteve-se estável nos 8%.
Relativamente aos internamentos hospitalares, o Conselho destaca que os indicadores continuaram a revelar “níveis elevados de pressão” sobre a capacidade instalada no SNS.
Apesar do aumento de 7,3% na atividade dos hospitais de dia em 2025, a taxa média de ocupação dos internamentos atingiu “um novo máximo”, aproximando-se dos 90% das camas disponíveis, acompanhada de um aumento da demora média da hospitalização.
O CFP assinala “situações particularmente críticas” em várias Unidades Locais de Saúde (ULS), com taxas de ocupação superiores a 100%, como as do Tâmega e Sousa (136%), Braga (116%), Oeste (114%), Médio Ave (102%) e Barcelos/Esposende (101%).
A entidade que fiscaliza as regras orçamentais e a sustentabilidade das finanças públicas alerta que “a conjugação de ocupação elevada e demora média crescente é compatível com constrangimentos na alta hospitalar, designadamente a permanência de doentes com alta clínica que aguardam resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados ou de apoio social, limitando a rotação das camas disponíveis”.










