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Figueirense soma vitórias em corridas de monociclo elétrico

Depois de se ter classificado em 1.º lugar numa prova na Bélgica, no passado fim de semana, António Tomás prepara-se para competir na República Checa em setembro

Há desportos que desafiam a lógica e atletas que desafiam a gravidade. O Diário de Coimbra esteve à conversa com António Tomás, natural da Figueira da Foz, que é o rosto de uma modalidade que, embora ainda discreta em Portugal, está a ganhar tração competitiva à escala global: as corridas de monociclo elétrico. Com 43 anos, o atleta figueirense não é apenas um entusiasta, mas um competidor de elite ao somar vitórias nas várias corridas internacionais em que tem participado.

A mais recente conquista aconteceu no passado fim de semana, na Bélgica, onde subiu ao 1.º lugar do pódio, isto depois de já se ter classificado em 2.º lugar, em março, numa corrida em Espanha. Aliás, foi no país vizinho que António Tomás acabou por encontrar o palco ideal para a sua afirmação, sendo já uma referência naquele veículo de apenas uma roda. Dada a escassez de provas nacionais, o atleta tem brilhado desde 2023 em campeonatos em Espanha, onde o desporto já goza de uma estrutura competitiva sólida.

"Inicialmente confesso que não achei muita piada, mas agora estou apaixonado por isto e utilizo o monociclo em várias vertentes da minha vida: seja para me deslocar no trabalho, em lazer ou em competição"

No entanto, conta que no ano passado quis ir mais longe para «viver novas experiências» além da Península Ibérica e elevar a bandeira de Portugal com a sua perícia técnica e velocidade. Participou na terceira e última corrida do campeonato da República Checa e já no regresso a casa decidiu correr em França. Em ambas as provas o atleta ficou classificado no 1.º lugar. Agora prepara-se para novas conquistas, seguindo rumo em direção à República Checa no próximo mês de setembro. Este passo representa não só um marco pessoal, mas também um ponto de viragem para a modalidade em Portugal, posicionando um figueirense na linha da frente de uma disciplina que combina equilíbrio extremo, adrenalina e tecnologia de ponta.

Refira-se que o monociclo mais recente no mercado pode atingir os 150 km/h. Já a roda de António Tomás atinge os 100 km/h. Quando questionado pelo nosso jornal se a velocidade não é demasiado elevada para o monociclo, responde que o que está em causa «não é o limite do veículo, mas sim o limite da pessoa que vai na roda». Além disso, indica que também é necessário que as condições atmosféricas estejam favoráveis, «já que o vento pode ser um entrave». Porém, esclarece que, «ao contrário daquilo que as pessoas pensam, não é assim tão difícil manter o equilíbrio».

Para quem o vê passar nas ciclovias da Figueira da Foz, pode parecer apenas um meio de transporte futurista. «As pessoas ficam paradas a olhar. Acham que é mais difícil do que parece e como só tem uma roda ainda faz mais confusão», comenta o atleta, desejando que, num futuro próximo, possa ver mais pessoas a deslocar-se num monociclo elétrico nas ruas da cidade. «Quem tiver curiosidade, deve experimentar. Aliás, costumo dizer que as pessoas só não fazem se tiverem mais medo do que vontade… Quem quiser, pode contactar-me através das minhas redes sociais, pois tenho mais rodas disponíveis para emprestar», deixa o convite.

Monociclista compete por paixão e sem patrocínios

António Tomás é a prova de que, para chegar longe, às vezes basta uma roda e uma vontade indomável de vencer. Sem patrocinadores, investe do próprio bolso para participar nas competições no estrangeiro. «Tenho que fazer as viagens de carro, porque o monociclo não pode andar nos aviões. Então, para além de ser mais cansativo, também fica mais cara a despesa com viagem, alojamento, alimentação… Mas faço-o por gosto», assume o atleta. «Esta é uma modalidade que está a começar em Portugal, por isso, não é fácil ter apoios», justifica o figueirense, dando conta que na última corrida em que participou já teve uma «ajuda monetária» das empresas Qualigesso e Frutibairrada. «Esta aventura começou em 2021, quando um amigo me mostrou vídeos. Inicialmente confesso que não achei muita piada, mas agora estou apaixonado por isto e utilizo o monociclo em várias vertentes da minha vida: seja para me deslocar no trabalho, em lazer ou em competição», remata.

Junho 26, 2026 . 12:01

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