
Círculo Sede no Anozero’26
Alberto Carneiro
Alberto Carneiro é uma figura central da arte contemporânea portuguesa e da arte ecológica. A sua obra cruza corpo e natureza, espaço expositivo e floresta, num pensamento de continuidade entre humano e vegetal. Nas esculturas expostas no Círculo Sede, a árvore surge como matéria primordial e energia vital, gerando corpos em estado de contaminação entre consciência e transformação. Em Tempestades, o artista explora a dimensão metamórfica da natureza. Em Sobre os rios II, um tronco dividido por um corte seco cria um vazio que evoca a ideia de rio, reafirmando a madeira como elemento central do universo do autor.

Fina Miralles
Situada entre a Arte Conceptual e a Land Art, a prática de Fina Miralles assume uma perspetiva feminista. Corpo e natureza estabelecem uma relação simbiótica de forte intensidade visual. Os registos apresentados no Círculo Sede documentam ações performativas entre artista e meio natural. A presença da árvore reforça esta ligação, surgindo como símbolo de sustento e proteção. O seu trabalho pode ser lido à luz do ecofeminismo, questionando fronteiras entre corpo, natureza e cultura.
Pedro Vaz
Pedro Vaz trabalha a relação entre presença humana e mundo natural através da pintura, escultura e vídeo, concebendo a paisagem como um processo vivo em constante transformação. O seu trabalho resulta frequentemente de permanências em territórios desabitados, onde a natureza se afirma como presença central. Em Ser, a nossa relação com o meio é apresentada de forma dupla: um corpo estranho e etéreo que oscila entre visibilidade e invisibilidade. Esta figura, sempre presente mas diáfana, inscreve-se numa aura espectral, como se condensasse o próprio espírito da natureza em movimento.
Círculo Sede
Rua Castro Matoso, 18
Qua–Dom 10h00–13h00 e 14h00–18h00
Aberto nos feriados
ANOZERO’26 Últimos dias
Aproxima-se o encerramento do Anozero’26. Até 5 de julho, o público poderá ainda visitar a Bienal, que se encontra distribuída por oito espaços da cidade e reúne mais de meia centena de artistas, arquitetos e coletivos provenientes de diferentes geografias e gerações.
Organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal de Coimbra e pela Universidade de Coimbra, a Bienal tem curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, com curadoria assistente de Daniel Madeira. Sob o tema Segurar, dar, receber, propõe uma reflexão sobre as relações entre exposição e habitação, cuidado e partilha, explorando a forma como os espaços podem ser simultaneamente lugares de encontro, acolhimento e transformação.
Nas últimas semanas da Bienal continuam a decorrer visitas guiadas, performances, lançamentos de livros, workshops e atividades do Programa Convergente, culminando num programa especial de encerramento nos dias 4 e 5 de julho. Toda a informação está disponível em https://www.anozero26bienaldecoimbra.pt












