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Edifício Chiado — Museu Municipal de Coimbra no Anozero’26

Esta exposição coletiva pretende evidenciar práticas descentralizadas no contexto da proposta curatorial. ­Através da figuração, mediada pela gestua­lidade, segurar, dar e ­ receber adquirem uma plasticidade mais concreta no desenho, na pintura, na fotografia e no vídeo.

Participantes

Frédéric Bruly Bouabré 

Frédéric Bruly Bouabré ocupa um lugar singular na arte do século XX ao desenvolver uma prática profundamente ligada à escrita, ao desenho e à produção de conhecimento. Autodidata, construiu um vasto corpus de pequenos desenhos acompanhados de texto, organizados como um sistema enciclopédico pessoal, onde imagem e linguagem funcionam de forma indissociável.

A sua obra não se orienta pela representação, mas pela inscrição: sinais, símbolos e narrativas breves que articulam mito, história, cosmologia e observação quotidiana.

Este conjunto de desenhos, provenientes de três coleções privadas, espelha isso mesmo.

Frederic Bruly Bouabre

 

Sandro Chia

Na esteira das neovanguardas, Sandro Chia destaca-se pelo gesto pictórico intenso e expansivo, que transforma a tela num campo de ação. Figura, cor e marca dialogam entre mito e experiência quotidiana. O gesto não é apenas formal, mas narrativo e crítico, atravessando história e memória coletiva. Entre tradição e transgressão, Chia reinventa a figuração no regresso à pintura característico do pós-modernismo.

Sandro Chia Ragazzo Com Bandiera Italiana 1984

 

Colectivo SEM-FIM

O Colectivo SEM-FIM opera na relação entre corpo e imagem.  Encontro-te a encontrar-me é um trabalho de gestualidade, silêncio e cumplicidade. Esta videoperformance surgiu no âmbito da exposição Pontas Duplas/Split Ends, na Galeria Presença, no Porto, como forma de diálogo com a fotografia Wallpaper Girl (Saint Lourain) (2015), de Noé Sendas, a convite da curadora Aida Castro. Mantendo o preto e branco da imagem, a proposta deste coletivo atribui movimento e imprevisibilidade à sua fixidez original.

Colectivo Sem Fim Encontro Me A Encontrar Te 2021 C Jorge Das Neves 1

 

Eva Davidova

Eva Davidova trabalha a partir de uma zona híbrida entre vídeo, instalação e performance, estruturando as suas obras como dispositivos de confronto político e sensorial.

Untitled (Dani) revela-se, neste contexto, como uma forma de suspensão da própria figuração, não deixando de o ser, pela ocultação do rosto. Observa-se uma ressonância latente com o imaginário de Francesca Woodman.

 

Mário Macilau

A obra de Mário Macilau centra-se na fotografia documental. Os corpos e os territórios registados provêm, muitas vezes, de um espectro marginalizado. Cada imagem funciona como dispositivo relacional, colocando o olhar diante de realidades muitas vezes ignoradas. A sua prática inscreve-se no confronto ético e visual com o mundo. A fotografia torna-se, assim, num meio de amplificação de vozes e contextos.

Mario Macilau 1 2

 

Adriana Molder

Adriana Molder desenvolve frequentemente trabalhos de grande formato em tinta da China sobre papel esquisso, numa linguagem figurativa que cruza cinema, literatura, cultura popular e história da arte, onde o rosto surge como motivo recorrente e instável.Os desenhos da série Hôtel, apresentados no Museu Municipal de Coimbra – Edifício Chiado, resultam do encontro entre uma fotografia de rodagem de La Sirène du Mississipi (François Truffaut), com Catherine Deneuve e o realizador, e a canção “Hôtel” de Poulenc, com texto de Apollinaire. A artista recriou a fotografia com uma bailarina, a partir da qual desenvolveu os desenhos. A série inclui ainda representações de espelhos destruídos por balas no Clärchens Ballhaus, em Berlim, onde a artista viveu e testemunhou o acontecimento.

Adriana Molder 1 2

 

João Salema

A prática de João Salema centra-se na relação entre espaço, gesto e materialidade. As suas obras evitam a narrativa figurativa direta, criando situações sensoriais em que o corpo do espectador é chamado a percorrer, tocar e experienciar. Cor, luz e textura funcionam como dispositivos de perceção, estruturando a experiência do espaço expositivo. O gesto deliberado convive com a imprevisibilidade do material, produzindo um equilíbrio instável entre forma e vazio.

Joao Salema 2 Criancas A Tocar 1990 C Jorge Das Neves 1 1

 

Museu Municipal de Coimbra,

Edifício Chiado

Rua Ferreira Borges 85

Ter–Sex 10h00–18h00

Sáb e Dom 10h00–13h00 e 14h00–18h00

Encerrado nos feriados

Aberto a 4 de julho (Dia da Cidade)

 

ANOZERO’26 Últimos dias

Aproxima-se o encerramento do Anozero’26. Até 5 de julho, o público poderá ainda visitar a Bienal, que se encontra distribuída por oito espaços da cidade e reúne mais de meia centena de artistas, arquitetos e coletivos provenientes de diferentes geografias e gerações.

Organizada pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal de Coimbra e pela Universidade de Coimbra, a Bienal tem curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, com curadoria assistente de Daniel Madeira. Sob o tema Segurar, dar, receber, propõe uma reflexão sobre as relações entre exposição e habitação, cuidado e partilha, explorando a forma como os espaços podem ser simultaneamente lugares de encontro, acolhimento e transformação.

Nas últimas semanas da Bienal continuam a decorrer visitas guiadas, performances, lançamentos de livros, workshops e atividades do Programa Convergente, culminando num programa especial de encerramento nos dias 4 e 5 de julho. Toda a informação está disponível em https://www.anozero26bienaldecoimbra.pt/

Junho 23, 2026 . 12:18

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