
Da construção do SNS aos desafios da IA duas gerações de médicos distinguidas
A Antiga Igreja do Convento São Francisco acolheu, ontem à tarde, a cerimónia de homenagem aos médicos que assinalaram 25 e 50 anos de inscrição na Ordem dos Médicos como forma de «reconhecimento, gratidão e celebração» pelos anos de serviço à medicina, como enalteceu Manuel Teixeira Veríssimo, presidente da Secção Regional do Centro das Ordem dos Médicos, durante a sua intervenção.
À geração de médicos que iniciou o exercício da profissão, em 1976, num país em desenvolvimento em busca do progresso pós - 25 de Abril, Manuel Teixeira Veríssimo elogiava os colegas que «ajudaram a construir o SNS [Serviço Nacional de Saúde] e o sistema de saúde que temos atualmente». «Muitos iniciaram a sua atividade numa época em que não existiam TAC’s, ressonâncias magnéticas, PET’s, cirurgia minimamente invasiva ou muitas das terapêuticas que hoje consideramos indispensáveis», recordava o médico, salientando o papel destes profissionais, principalmente, no serviço médico à periferia que levou jovens médicos para zonas do interior de Portugal, onde o acesso à saúde não era uma realidade antes do 25 de Abril e numa altura em que o SNS ainda estava a ser desenhado. «A criação do Serviço Nacional de Saúde foi uma mudança civilizacional. Os médicos foram decisivos nesta mudança nos centros de saúde, os hospitais, urgências, maternidades, enfermarias, consultas, serviços de saúde pública e comunidades», elogiou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, dirigindo palavras de «reconhecimento» aos médicos que assinalaram 50 anos. «O país deve-vos muito e os doentes devem-vos tudo», disse.
Aos mais novos que «iniciaram a sua atividade numa época diferente conheceram uma medicina cada vez mais tecnológica, mais especializada e mais complexa», sublinhou o presidente da Secção Regional, acrescentando que a geração de médicos que celebra agora 25 anos de profissão «vivem tempos de grande transformação». Numa época em que se discute a utilização de «inteligência artificial. a medicina personalizada, a genética, a robótica e a análise massiva de dados», Manuel Teixeira Veríssimo defende que nenhuma tecnologia substitui a «empatia, o conforto de uma palavra de esperança ou a confiança entre médico e doente». «O verdadeiro legado de um médico vive nas pessoas que ajudou, nos alunos que formou, nos colegas que inspirou e nos valores que transmitiu às gerações seguintes», concluiu.
Também Carlos Cortes não tem dúvidas de que a IA não deve substituir a relação médico-doente, devendo estar ao «serviço dos doentes, das pessoas, da segurança, da equidade no acesso e da relação médica».
Às duas gerações, o presidente da Secção Regional do Centro deixou uma mensagem clara: «Se há algo que podemos afirmar com certeza é que Portugal é hoje um país melhor graças ao trabalho desenvolvido por cada um de vós».
A cerimónia contou com a presença do vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Miguel Antunes, que representou Ana Abrunhosa, presidente da Câmara.












