
Morreu físico François Englert, um dos "pais" do bosão de Higgs
O físico teórico belga François Englert, vencedor do Prémio Nobel pela formulação da existência do bosão de Higgs, morreu em Bruxelas aos 93 anos, adiantou hoje a Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN) nas suas redes sociais.
Englert, que morreu na quinta-feira, nasceu em Bruxelas em 1932. Inicialmente, licenciou-se em engenharia eletromecânica e, mais tarde, doutorou-se em Física em 1959 pela Universidade Livre de Bruxelas, onde desenvolveu a sua carreira, iniciada na Universidade de Cornell (EUA).
Juntamente com o seu colaborador, Robert Brout, formulou a existência, em 1964, de uma partícula subatómica elusiva sem a qual nada existiria, pois é responsável por conferir massa às partículas.
A existência desta partícula demorou 48 anos a ser comprovada, embora já tivesse sido nomeada bosão de Higgs muito antes, em homenagem ao físico britânico Peter Higgs, que tinha proposto a mesma hipótese de forma independente na mesma altura.
A existência do campo de Brout-Englert-Higgs foi demonstrada em 2012 com a descoberta da partícula associada (o bosão) pelas experiências ATLAS e CMS no Grande Colisionador de Hadrões (LHC) do CERN.
Englert e Higgs (que morreu em 2024) receberam o Prémio Nobel da Física de 2013 pela "descoberta teórica de um mecanismo que contribui para a compreensão da origem da massa em partículas subatómicas", ou seja, o bosão de Higgs, de acordo com a decisão da academia sueca.
Nesse mesmo ano, juntamente com o CERN, receberam o Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica.
A figura de Englert sempre foi ofuscada, para o público em geral, pela de Higgs, a quem todos associam ao bosão em vez do físico belga.
O bosão de Higgs é uma parte fundamental do modelo padrão da física elementar, que descreve como o mundo é formado e como todas as partículas interagem entre si.
No entanto, para que o modelo fosse completo e explicasse porque é que as partículas têm massa, era necessário identificar o que Higgs, Englert e Brout formularam teoricamente, um mecanismo que lhe confere massa, um campo invisível — também chamado de campo de Higgs — que preenche todo o universo.
Englert passou a sua carreira na Universidade Livre de Bruxelas, onde juntamente com Brout fundaram um grupo de investigação sobre interações fundamentais.
Este grupo realizou estudos numa vasta gama de áreas, desde a compreensão das interações fortes até à relatividade geral e à cosmologia, como assinalou o CERN no seu site.
O investigador estava particularmente interessado no que considerava ser a questão definidora das interações fundamentais, conciliar a relatividade geral com a teoria quântica. Tornou-se professor emérito na sua universidade em 1998, embora se tenha mantido atualizado sobre os desenvolvimentos na física teórica.











