
Estudantes do curso técnico de cozinha e restauração em sessão prática
Com o ano letivo a chegar ao fim, ainda há muito trabalho dentro das escolas. Alunos a prepararem-se para os exames finais, outros a preparar o final do ano e a pensar já no próximo e outros ainda a procurar iniciativas que possam dar visibilidade ao seu trabalho.
É o caso de Jessica Silva e de Guilherme Bernardo, alunos do 1.º ano do Curso Técnico Profissional de Restaurante/Bar do Agrupamento de Escolas Coimbra Centro, que estão a preparar a sua candidatura ao Concurso Jovem Talento de Gastronomia. Jessica concorre à categoria “Bartender” e Guilherme prefere mostrar as suas competências na categoria “Artes de Mesa”. Até às provas, há que trabalhar e aprimorar as técnicas.
E foi em jeito de treino que os dois jovens fizeram uma demonstração no Bar da Escola Secundária D. Duarte, procurando dar conta de algumas das suas competências já adquiridas ao longo do ano, mas que podem sempre ser melhoradas. Antes de preparar e apresentar a bebida escolhida, Jessica falou um pouco de si. Começou por falar das razões da escolha do curso profissional. Natural do Porto, veio viver para Condeixa. Confessa que foram as suas vivências familiares e a relação com a profissão dos seus familiares mais próximos, na área da restauração e pastelaria, que a influenciaram. «Quando percebi que a Escola Secundária D. Duarte oferecia este curso, não hesitei. É isto mesmo que eu gosto». Passado o primeiro ano, Jessica refere com convicção que «frequentar as aulas do curso foi bem além das suas expetativas iniciais».
Já Guilherme, que é natural de Penacova, mas reside em Coimbra, também não hesitou em escolher este curso. Fez o 9.º ano nesta escola, conhecia os professores e como «gosto muito de trabalhar com pessoas, este foi o desafio certo para mim».
Depois das apresentações, começa a parte prática. Jessica escolheu preparar o gin tónico, «um clássico, muito na moda», como ela própria diz. E entre a preparação do gelo, a escolha do gin, «o Nordés, de sabor único, mercê dos botânicos tradicionais galegos», e os utensílios de bar adequados, a bebida vai ganhando «autenticidade». Jessica mostra já algum à-vontade na preparação da bebida. É vê-la deixar escorrer a água tónica pela colher de bar, «truque para não perder a bolha», explica a professora Tânia Pereira.
E eis que chega a vez de Guilherme explicar que a sua escolha recaiu na preparação do cocktail Negroni. Referiu a bebida «nasceu em Florença pela mão de um barman que, a pedido do conde Negroni, substituiu a água gaseificada por gin no seu cocktail favorito, o americano». De seguida, com as mãos na massa, Guilherme , munido com o seu “jigger”, doseia as bebidas, o gin, o martini e o campari, sem esquecer a preparação do gelo e a escolha certa do “mixing glass” (copo) e do copo onde vai servir a bebida e, para finalizar, adicionar Zest, isto é, casca de laranja fresca. Está o Negroni pronto para saborear.
E a professora Tânia Pereira aproveita para dar nota de mais um «segredo» para tornar a bebida mais agradável, sobretudo a quem não aprecia o travo amargo do Campari. «É só dar o toque final para uma bebida de excelência, com sal liquido pulverizado sobre a bebida para abertura do paladar», explica a professora.
Depois de preparadas as bebidas, há que apresentá-las, mas também isso tem segredos, isto é, regras que têm a sua razão de ser. Por isso, a professora Tânia aproveita esta sessão prática para mostrar aos alunos como se pega os copos, de pé alto ou não, para que a bebida seja apresentada com uma boa estética visual.
A preparação e apresentação das bebidas faz também parte de uma das três áreas dos cursos profissionais. Neste caso, é a parte tecnológica, em que os alunos têm contacto com as especificidades da profissão em questão. Mas os cursos têm ainda outras duas componentes: a sociocultural, em que aprofundam conhecimentos linguísticos e competências pessoais e sociais, e a científica que privilegiam a Matemática, Física e outras.
(Leia a reportagem completa na edição do dia 17 de junho de 2026)
Ligação às empresas é o oxigénio do ensino profissional
Tânia Pereira, coordenadora dos Cursos de Restaurante e Bar e Cozinha e Pastelaria na Escola Secundária D. Duarte é uma defensora acérrima do ensino profissional. A docente, que confessa exercer a profissão com profunda paixão, considera que a visão, muitas vezes negativa, sobre o ensino profissional está a mudar. Por parte dos alunos há cada vez mais procura, porque «há uma maior consciência do que realmente querem para a vida». A ideia de que se trata um ensino menos exigente «é completamente infundada», refere a professora Tânia, dizendo que «pedir a jovens de 16 ou 17 anos que transformem conhecimento em serviço útil e seguro para o outro é das coisas mais sérias e exigentes».
De resto, quando um aluno está no restaurante de um hotel parceiro, a servir um evento real, ele percebe de forma profunda e inequívoca que a falta de organização é um atraso que afeta a experiência de um cliente, que mancha a reputação de uma casa e que o impede de ser visto como um profissional de confiança. De resto, «a sua boa prestação aumenta a sua auto-estima e é nesse momento que o aluno interioriza que a aprendizagem deixa de ser uma obrigação escolar e passa a ser uma construção de identidade». Esta ligação às empresas é o oxigénio do ensino profissional.
Alunos do ensino profissional participaram em várias mobilidades Erasmus+
O Agrupamento de Escolas Coimbra Oeste viveu, este ano letivo, um dos períodos mais intensos e internacionalizados, graças à forte participação no programa Erasmus+ – Ensino e Formação Profissional. Entre mobilidades de grupo, estágios, intercâmbios culturais, visitas preparatórias e missões de job shadowing, alunos e professores envolveram‑se em experiências que reforçaram competências técnicas, linguísticas e interculturais, consolidando a dimensão europeia da Escola Secundária D. Duarte que reforça o seu compromisso com uma educação aberta ao mundo, tal como explicou Gonçalo Dias, professor responsável pelo Programa Erasmus para o Ensino Profissional.
No total, foram 10 mobilidades que permitiram aos alunos e professores conhecer outras realidades. No que diz respeito à mobilidade centrada na hotelaria e restauração, destaque para o intercâmbio com a Escola de Hotelaria Salobreña, de Granada, com a receção dos alunos espanhóis e depois com a ida dos alunos portugueses que apresentaram na escola anfitriã um serviço de um menu português, que integrou vinhos do parceiro Caves São Domingos, da Bairrada, e o emblemático Licor Beirão, permitindo aos estudantes apresentar produtos nacionais de referência em contexto internacional. Já no terceiro período, os alunos do Curso de Hotelaria e Restauração participaram numa mobilidade de estágio no hotel Tivoli La Caleta, em Tenerife. Durante várias semanas, integraram equipas profissionais em áreas como cozinha, pastelaria, restaurante, bar e gestão hoteleira, aplicando conhecimentos adquiridos na escola e desenvolvendo novas competências em contexto real de trabalho. A experiência, marcada por elevados padrões de exigência e profissionalismo, representou um salto significativo na sua formação.
Já este mês, a Escola Secundária D. Duarte recebeu uma comitiva do Lycée Clémente Ader, de Bernay, França, numa visita para fortalecer futuras mobilidades na área da hotelaria e restauração. Mas as mobilidades estenderam-se aos restantes cursos profissionais. Os alunos de Desporto estiveram em Sevilha, os do curso de Farmácia estiveram na Polónia, tal como os do Curso de Gestão e Programação participaram em projetos STEM numa escola na Bélgica, sendo que foram anfitriões por diversas vezes.













