
Rede social europeia W é lançada para competir com a X e reforçar a soberania digital da União Europeia
A nova rede social W foi oficialmente lançada esta terça-feira, em fase beta, com a ambição de competir com a plataforma X através de um modelo inteiramente europeu, alinhado com os objetivos de soberania tecnológica da União Europeia (UE).
Desenvolvida pela empresa sueca W Social, a plataforma foi apresentada em Bruxelas como uma alternativa assente em valores europeus, incluindo a proteção da privacidade, a transparência e o cumprimento rigoroso da legislação comunitária.
“Estamos sediados na Europa, temos as infraestruturas e os centros de dados na Europa, operamos ao abrigo da legislação europeia e apenas europeus podem ser acionistas da empresa”, afirmou a diretora-executiva da W Social, Anna Zeiter, durante a apresentação oficial.
A rede social utiliza o mesmo protocolo descentralizado da Bluesky, conhecido como AT Protocol, permitindo uma arquitetura aberta e descentralizada. A empresa é liderada por uma equipa pan-europeia de empreendedores e investidores de diversos setores.
Publicidade e micropagamentos sustentam o modelo de negócio
Segundo Anna Zeiter, a plataforma terá duas principais fontes de receita: publicidade em conformidade com a Lei dos Serviços Digitais (DSA) e com as regras europeias de proteção de dados, além de um sistema de micropagamentos efetuados pelos utilizadores.
Um dos principais elementos diferenciadores da W é a aposta na autenticação de utilizadores reais. Para combater a proliferação de contas automatizadas e conteúdos gerados por inteligência artificial, a empresa criou uma aplicação independente que permite verificar a identidade humana dos utilizadores sem comprometer os seus dados pessoais.
Embora seja possível utilizar a plataforma apenas para leitura e acompanhamento de conteúdos sem autenticação, a verificação será obrigatória para publicar mensagens e interagir com outros membros da comunidade.
Além disso, os conteúdos publicados por utilizadores que optem por utilizar o seu nome verdadeiro terão prioridade de visibilidade face aos publicados por contas anónimas.
Líderes europeus já aderiram à plataforma
Todos os conteúdos publicados na W são públicos por defeito. A versão beta da plataforma foi disponibilizada ao público após uma apresentação inicial realizada em fevereiro, durante o Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça.
Entre os primeiros utilizadores encontram-se várias figuras de destaque das instituições europeias, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde.
Na sua estreia na plataforma, António Costa destacou as características da nova rede social.
“Hoje, adiro à W, plataforma em que os dados se alojam integralmente na Europa, o combate à desinformação é uma prioridade e os utilizadores são pessoas verdadeiras verificadas. Espero ter conversas mais humanas!”, escreveu.
Contexto de reforço da autonomia tecnológica europeia
O lançamento da W surge numa altura em que a Comissão Europeia procura acelerar a autonomia tecnológica do bloco comunitário.
No início deste mês, Bruxelas apresentou um pacote legislativo destinado a fortalecer as empresas europeias de computação em nuvem e garantir o fornecimento estratégico de semicondutores. Está igualmente prevista a apresentação de um plano abrangente para a cibersegurança e a inteligência artificial.
Neste contexto, a chegada da W representa mais um passo na estratégia europeia para reduzir a dependência tecnológica de empresas norte-americanas e chinesas e fortalecer um ecossistema digital assente em infraestruturas e regras próprias.












