Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Facit26 20260609
Pub Dc Lewiscapaldi 20260615
Legua Dc
Pub

Confraria da Gândara: Gândara conjuga aromas da terra e do mar

A vila da Tocha é o epicentro de um projeto diferenciador, que promove a gastronomia, a cultura e as tradições de toda a região gandaresa e oferece uma mesa farta e diversificada, que “casa” a faina no mar e a vivência rural

Juntam-se os aromas do mar com os produtos da terra e o resultado é um verdadeiro manjar dos deuses preparado pela alma gandaresa. Aromas e Sabores Gandareses que a Confraria da Gândara promove desde 2004. Um projeto diferenciador, ancorado na Tocha, mas que procura congregar o extenso território, que se estende desde a Figueira da Foz à Bairrada. Uma região distinta, com a marca da areia, que o esforço, a imaginação e a resiliência humana transformaram em terra fértil. Entre o mar, a ria, as lagoas e a vasta planície, a Região da Gândara afirma a sua identidade gastronómica, balizada pelo mar e pela terra.

«Convidei pessoas de todas as localidades», recorda José Manuel Azenha Tereso. Médico, que presidiu à antiga Administração Regional de Saúde do Centro, com raízes no território, as demandas profissionais fizerem-no sentir e apreciar mais de perto a realidade sui generis da região e o desejo de a dar a conhecer ao país e ao mundo. Criava-se a base para a Confraria da Gândara – Aromas e Sabores Gandareses, uma espécie de catedral da amizade, do convívio e da sã confraternização, onde todos são bem-vindos. Segredos existem, naturalmente.

«Não discutimos política, nem religião, nem futebol», sintetiza José Tereso, dando nota do espírito que reúne os confrades que, em dia de festa, fazem questão de levar as respetivas famílias e promover aquilo que é a «forma gandaresa de receber». «Inclusivamente, vem gente do estrangeiro», afiança o mordomo-mor (presidente da direção) da Confraria.

Uma mesa de sabores e de aromas autênticos, que no caso da Confraria da Gândara tem a particularidade de representar um conjunto de restaurantes da região, que apresentam as suas especialidades, o mesmo será dizer pratos com história e com tradição, mas que não enjeitam a inovação. Bem pelo contrário, afiança o médico, que sublinha esta «diferença relativamente às restantes confrarias» ou pelo menos à maioria delas.

Isto porque, logo no arranque, José Tereso e os restantes promotores da ideia fizeram questão de caminhar de braço dado com a restauração da Gândara, integrando-a na família confrádica. Uma mão cheia de restaurantes, que inclui o Panorama, a Cova do Finfas, a Tasquinha Júlio Domingos, O Amigo, o Arcada, o Joka e o restaurante Oliveiras.

 

Confraria percorre (quase) todo o território da Gândara

Favas à Gândara, com entrecosto e chouriço; batata assada na areia com bacalhau assado na brasa – uma especialidade que a Associação de Moradores da Praia da Tocha se tem empenhado em promover, o mesmo acontecendo com as sardinhas na telha, elogia o responsável – sardinha assada na telha, sopa do mar, sopa gandaresa, carneiro de casamento, feijoada, robalo ao sal, mariscada, caldeirada de peixe, cabidela de galo, leitão assado, sardinha assada na brasa, arroz de petinga, papas laberças (feitas com nabos e farinha) são alguns dos petiscos, a que se juntam a carne de vinha d’ alhos, as cavalas escaladas, os peixinhos dos ribeiros (ruivados e pardelhas), as petinguinhas e os jaquinzinhos fritos. Um cardápio de iguarias que parece não ter fim, faz crescer água na boca e desencadeia um verdadeiro drama quando se trata de escolher, pois é manifestamente impossível provar todos os manjares.

A estes pratos, junta-se a especialidade da “casa”, ou seja, o prato mais característico da localidade onde se realiza o capítulo, pois a Confraria faz questão de sair da Tocha, onde tem a sua sede, e percorrer todas as localidades da Gândara. Um vasto território, atesta, lembrando que a Gândara vai desde a Cova da Serpe, na base da Serra da Boa Viagem até Vagos, incluindo Mira e Cantanhede, estendendo-se até à Bairrada. A distinção é simples, diz José Tereso: «onde há areia, é Gândara, onde há barro é Bairrada».

«Só o Bom Sucesso é que ainda não aderiu», lamenta, facto que se prende com «rivalidades antigas» que, apesar das várias «conversações», ainda não foi possível ultrapassar, de forma a criar a verdadeira unidade da Gândara. De resto, os capítulos já percorreram praticamente todas as localidades desde Cadima, Sanguinheira, Escoural, Caniceira, Cochadas, Praia da Tocha, Rovisco Pais ou Olhos de Fervença. O último, no dia 30 de maio, tem como anfitriã a Associação de Moradores do Escoural e Barrins.

Solidariedade sempre presente

A receita obtida em cada capítulo é sempre entregue a uma instituição. «Não temos fundo de maneio, é tudo entregue», sublinha o mordomo-mor da Confraria. Os Bombeiros Voluntários de Cantanhede e a Provida – Associação de Desenvolvimento, Progresso e Vida da Tocha (IPSS que possui as valências de lar de idosos, centro de dia, apoio domiciliário, creche e ATL) estão na primeira linha dos beneficiários.

Mas, às receitas obtidas com a inscrição de cada uma das confrarias/confrades participantes nos capítulos realizados na Gândara, junta-se outra verba, resultante do leilão que acontece em cada cerimónia. Trata-se de dar um destino digno às ofertas feitas pelas confrarias visitantes, que, por princípio, entregam uma lembrança à anfitriã (e também recebem). São os mais diversos tipos de artigos, que identificam a Confraria e o respetivo território, que podem ir desde um prato, uma medalha, livros, entre muitos outros.

Este tipo de lembranças são guardadas, enriquecendo o espólio da Confraria da Gândara, mas quando se trata de, por exemplo, um caçoilo de chanfana, caixas de doces, queijos, enchidos, bebidas ou outro tipo de consumíveis, é promovido um leilão, integrado no programa do capítulo, onde o produto é arrematado entre os confrades presentes pelo melhor preço. José Tereso lembra um momento particularmente gratificante, com o leilão de duas caixas de maçã, oferecidas pela Confraria da Maçã, que «rendeu um bom dinheiro» e permitiu engrossar as receitas da solidariedade.

Entronização Confraria Da Gandara
Mordomo-mor procede ao ritual de entronização dos novos confrades

Ter embaixadores em diferentes países

A ideia está em maturação há algum tempo, mas ainda não foi possível, de acordo com o mordomo-mor, avançar definitivamente com a sua entrada em funcionamento. Trata-se de criar uma rede de embaixadores ou de cônsules, em «diferentes países», que representem a Confraria e levem longe o nome da Gândara.

«A ideia é boa, mas não é fácil de pôr em prática», reconhece José Tereso. Já existem «dois embaixadores no Brasil», adianta, mas «ainda não há consenso» relativamente aos representantes a designar para a Europa. «Tem que ser gente séria e da nossa inteira confiança», adianta o responsável.

Esta rede internacional a criar, apresenta-se como um complemento à estrutura que já funciona no território nacional. «Temos confrades espalhados pelo país inteiro, que representam a Confraria em diferentes capítulos» para os quais a Confraria da Gândara é convidada, o que facilita a tarefa de representação, particularmente em locais mais distantes, faz notar.

«Somos gandareses, somos gente simples e franca» e todos os confrades estão em pé de igualdade. Significa que, na Gândara, não há confrades efetivos e confrades de honra, como acontece na maioria das confrarias da região. «Somos todos iguais, todos confrades», atesta José Tereso.

«Convidamos as pessoas que queiram vir», mas não há um “regime de elite”, o que resulta no facto de presidentes de Câmara e de Junta de Freguesia de diferentes cores políticas integrarem a família confrádica, que também abraçou, por exemplo, o antigo reitor da Universidade de Aveiro e ex-ministro da Educação, Júlio Pedrosa, igualmente com raízes na região.

Medalhas Confraria Da Gandara
Medalha com os símbolos da Confraria, onde se destaca a imagem estilizada das sardinhas e o escapulário

B.I.

Fundação: 4 de junho de 2004

Capítulo: Entre o último sábado de maio e o primeiro de junho

Padrinhos: Confraria dos Nabos e Companhia, de Carapelhos - Mira e a Confraria Gastronómica e Báquica da Serra da Estrela (extinta)

Confrades: 50

Sede: Junta de Freguesia da Tocha

Traje: Capa castanha, inspirada no gabão de lavrador, adaptada aos tempos atuais, com cordão para apertar e debruada a preto. Inclui chapéu redondo, de sombra, também castanho, igual para homem e para mulher

Emblema: Apresenta a região da Gândara e as sardinhas na telha

Junho 17, 2026 . 20:15

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

0 Comentários
Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right