Um dia na vida
O título desta crónica é uma tradução literal de uma das canções mais emblemáticas dos Beatles, que fecha o também notável disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band publicado em 1967: “A DAY IN THE LIFE”.
Esta canção, por muitos considerada a obra-prima absoluta dos Fab Four, torna-se ainda mais impressionante vista com os olhos da actualidade, e não apenas do ponto de vista musical.
Ao olhar friamente para a notícia da morte de Tara Browne, herdeiro da Guiness, num desastre automóvel, misturando essa tragédia com factos banais do dia-a-dia, parece criticar-se o nosso mundo de hoje, em que notícias de diversas importâncias e significados se confundem e se sucedem a um ritmo avassalador.
O resultado é uma visão do mundo fragmentada e pessimista, muitas vezes mesmo catastrofista.
Tendo até hoje vivido 26.267 dias, muitos deles acabaram por ser apenas mais um dia na minha vida que hoje completa 72 anos.
Apesar das notícias de personagens que ainda hoje procuram beber a água da “fonte da juventude”, a vida pressupõe a morte que para todos nós virá, mais cedo ou mais tarde.
Entre aqueles dias de vida, alguns houve em que a morte descaradamente rondou bem perto. Em dois deles, chegou a fazer parar o coração, obrigado a bater de novo pelos médicos numa dessas vezes, mas acordado de novo de forma inexplicável aos quinze anos quando a consciência já via de cima o corpo inerte rodeado da família em aflição extrema.
Mas bem perto andou também a morte quando foi possível fazer regressar à vida um afogado, através da respiração boca-a-boca e compressões torácicas, mesmo sem nenhum curso de primeiros socorros.
Para continuar a ler este artigo
nosso assinante:
assinante:








