
MP acusa condutor por homicídio negligente na morte de Pedro Sobral
O Ministério Público acusou um arguido da prática dos crimes de homicídio por negligência grosseira, condução perigosa e omissão de auxílio, na sequência do atropelamento mortal do conimbricense Pedro Sobral, presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), ocorrido em dezembro de 2024, na Avenida da Índia, em Lisboa.
Segundo informou a Procuradoria-Geral Regional de Lisboa, a acusação foi deduzida pela 13.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e inclui ainda quatro contraordenações rodoviárias graves e muito graves.
De acordo com a acusação, os factos ocorreram na manhã de 21 de dezembro de 2024, quando o arguido, ao volante de um automóvel, atropelou um ciclista na Avenida da Índia, provocando-lhe ferimentos que acabaram por determinar a sua morte. O Ministério Público sustenta ainda que, após o atropelamento, o condutor abandonou o local sem prestar auxílio à vítima, apresentando-se às autoridades apenas mais de quatro horas depois, acompanhado por um advogado.
No despacho de acusação, o MP requer que o arguido seja declarado inapto para a condução e que seja determinada a cassação da respetiva carta de condução.
A vítima foi Pedro Sobral, então presidente da APEL e administrador das Edições Gerais do Grupo LeYa. Era natural de Coimbra, tinha 51 anos e circulava de bicicleta quando foi atingido pela viatura. Na altura, a morte de Pedro Sobral gerou forte consternação nos setores editorial e cultural. Em comunicado, a LeYa classificou a sua perda como um golpe de “danos inultrapassáveis” para a empresa e para todo o setor do livro.
Presidente da APEL desde 2021, depois de ter desempenhado funções como vice-presidente, Pedro Sobral era licenciado em Economia e em Ciência Política pela Universidade Católica Portuguesa e tinha frequentado o Programa de Gestão Geral da Harvard Business School. Após um percurso na área financeira e de consultoria, passou pela Almedina antes de integrar o Grupo LeYa, onde assumiu diversos cargos de direção até se tornar administrador das Edições Gerais.
A sua morte motivou também reações institucionais. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou ter recebido a notícia com “grande choque”, destacando o contributo de Pedro Sobral para o setor do livro e para a cultura portuguesa. A ministra da Cultura à época, Dalila Rodrigues, manifestou igualmente o seu pesar, descrevendo-o como um parceiro essencial do ministério e uma figura marcante do mercado editorial e livreiro.










