
Alunos de Medicina queixam-se de anulação de direitos
Os estudantes da Faculdade de Medicina com estatuto de Necessidades Educativas Especiais (NEE) criticam as novas recomendações do Conselho Pedagógico da instituição que decidiu retirar «à partida, o acréscimo de tempo» nos exames.
«Nós não negamos os direitos a ninguém, não damos é à partida tempo extra nos exames», explicou Carlos Robalo Cordeiro, diretor da Faculdade de Medicina na Universidade de Coimbra, questionado pelo Diário de Coimbra. A decisão tomada «por unanimidade» pelo Conselho Pedagógico teve como base «diligências prévias realizadas junto da Reitoria da Universidade de Coimbra, com o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas e com o gabinete da Prova Nacional de Acesso (PNA) com o intuito de entender quais as diretrizes que estariam a ser seguidas».
«No caso do PNA não existe qualquer indicação que pressuponha um acréscimo de tempo, à partida. Há sim, algumas situações que casuisticamente foram avaliadas permitindo a entrada de, por exemplo, equipamentos de medição para os diabéticos ou até um assento almofadado», assumiu Robalo Cordeiro.
Apesar das queixas, direção da Faculdade esclarece que os direitos dos estudantes com NEE mantêm-se
«Esta recomendação tem subjacente a análise da compatibilidade de salvaguarda dos direitos e a inclusão na futura profissão», uma vez, que «estes alunos num futuro breve estarão numa sala de urgência e têm de dar uma resposta rápida», exemplificou.
Para os estudantes queixosos «as justificações carecem de base legal, científica ou pedagógica» que justifiquem a deliberação que qualificam como «discriminatória», afirmam num comunicado enviado ao nosso Jornal. «A decisão da FMUC viola princípios basilares da Educação Inclusiva e as diretrizes do Ministério da Educação e da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) relativas à igualdade de oportunidades», acrescentam.
Questionado acerca das acusações, o diretor da FMUC assume que «não há um enquadramento legal para estas situações, como existe no ensino pré-escolar, básico e secundário, existe sim o regulamento académico que continua em vigor», referindo que a recomendação do Conselho Pedagógico é «sensata e ponderada». Nesse sentido, os alunos que necessitem de um tempo extra para os exames devem solicitá-lo aos regentes da unidade curricular em causa que avaliará «caso a caso», sendo que estas recomendações entram em vigor já nesta época de exames.
«Fico bastante preocupado com a ligeireza com que estas denúncias, se assim as podemos chamar, são feitas», lamentou o diretor, assegurando que tem conhecimento «das dificuldades dos estudantes com necessidades especiais».










