
"Vantagem pontual diz bem da justiça deste título"
Diário de Coimbra | Quando se ganha um campeonato, neste caso a Divisão de Elite, com 14 pontos de avanço é difícil dizer que não foi justo?
Filipe Salvado Penso que sim. Acho que é validado por toda a gente, por todos os adversários. São 14 pontos de avanço perante outras equipas que também tinham muito valor, que também tinham qualidade para chegar a esse título, que tinham até orçamentos superiores ao do Nogueirense. Acho que é uma vantagem pontual, diz bem da justiça deste título.
Tiveram o melhor ataque e a defesa da competição…
Sim, acaba também por acrescentar alguma justiça à vantagem pontual que conquistámos. Foi sempre muito taco a taco, principalmente a questão da melhor defesa. Mas esta equipa, mesmo já com o título assegurado, manteve o foco, quis sempre mais, quis sempre tentar acabar com uma maior vantagem pontual sobre os adversários, com o maior número de pontos possíveis no campeonato. E depois foi também um estímulo para a equipa poder ser o melhor ataque e a melhor defesa. E conseguimos com toda a justiça.
A equipa terminou o campeonato com 20 jogos consecutivos sem perder e apenas sofreu duas derrotas em 30 jornadas. Como se consegue tudo isto?
Com muito trabalho, mas também com muita qualidade dos jogadores, com toda a estabilidade que nos foi dada para podermos trabalhar. O clube é estável, dá todas as condições e depois foi muito trabalho durante a época. A equipa sentiu quando sofreu as derrotas. Uma delas penso que é mais do que justíssima, que foi contra o Vigor, em que o adversário foi melhor do que nós. Depois temos outra derrota em casa com o Tocha, em que no final o que contam são os pontos, mas é difícil falar porque ficámos em desvantagem com a expulsão do nosso guarda-redes e até aí estávamos a ser melhores do que o adversário. A partir daí, foi foco total, não quisemos repetir o sentimento de derrota. Os jogadores foram inexcedíveis. Julgo que teremos sido a única equipa que trabalhava quatro vezes por semana. Os jogadores que estão aqui no clube são semiprofissionais e faziam treino de ginásio de manhã. E tudo isso conta no final. É um orgulho ver os números que conseguimos.
Ser campeão e consequentemente subir de divisão foi sempre o objetivo?
Sim, internamente sim. Inicialmente quando falámos, esse era o objetivo. Estava de regresso ao clube – já cá tinha estado e acabei por sair por ter ido para outro projeto profissional como adjunto – e desde esse momento entendemos que o objetivo só podia ser esse. Não faria sentido ser de outra forma. Os jogadores, logo de início, acataram essa ideia e perceberam que tinha de ser esse o foco. Mais do que contratar jogadores que tivessem qualidade, contratámos jogadores que tinham ambição de querer mais e que queriam estar inseridos num grupo vencedor. Isso foi muito importante para esse objetivo ser alcançado. Claro que para fora passámos sempre que o objetivo era “jogo a jogo”, mas internamente queríamos subir de divisão.
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