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100 anos de “SOLfies” para ver e descobrir no Observatório

“O Espectroheliógrafo de Coimbra: Um Telescópio Solar" é o título da mostra que assinala um século de um dos mais importantes instrumentos científicos da astronomia

Concebido para o estudo do Sol em 1926, o Espectroheliógrafo marcou o início da astrofísica em Portugal. Mais do que um instrumento, era uma promessa de descoberta. Num tempo em que muitos fenómenos solares permaneciam misteriosos, surgiu como resposta à necessidade de ver para além do que era visível ao olho humano e registar o Sol em comprimentos de onda específicos.

Adaptado à era moderna, o centenário instrumento faz aquilo que hoje apelidamos de selfies. Mas como são fotografias apenas ao sol, atrevemo-nos a considerá-las “SOLfies”.
Francisco da Costa Lobo, diretor do Observatório à época, colocou Portugal na vanguarda da astronomia internacional, graças à visão do projeto –uma iniciativa que aliava ambição e modernidade à cooperação internacional. Com observações solares diárias, permitiu criar uma das séries mais longas no mundo, para compreender o Sol e a sua influência na Terra.
O telescópio solar resistiu a vários regimes políticos e transformações tecnológicas, mantendo-se, até hoje, uma ferramenta científica que continua a transformar a luz solar em conhecimento.

Ontem, no Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra, em Santa Clara, foi inaugurada a mostra “O Espectroheliógrafo de Coimbra: Um Telescópio Solar”, que apresenta a evolução das observações solares e destaca o papel histórico do equipamento na investigação científica. Na sessão que inaugurou a mostra, Ricardo Gafeira, diretor do Observatório disse que o objetivo é «dar a conhecer de que forma os antepassados observavam o Sol e como esta tecnologia marcou o desenvolvimento da astronomia em Portugal».
A exposição acompanha as transformações tecnológicas e científicas associadas ao estudo solar, reunindo elementos históricos da sociedade e instrumentos centenários. Começa com ideias do século XVII sobre o Sol, inicialmente erradas relacionadas com vulcões, e evolui para uma explicação da história do instrumento até aos tempos atuais, de forma simples e didática.

Objetos centenários

«Grande parte do material exposto tem cerca de 100 anos, o que demonstra o esforço dedicado à aquisição e transporte destes equipamentos numa época em que tudo era mais demorado», esclareceu Ricardo Gafeira.

Entre os objectos em destaque encontram-se uma das primeiras lentes utilizadas no espectroheliógrafo, atualmente substituídas por óticas modernas, e os dois braços antigos das câmaras fotográficas, utilizadas até 2007. A exposição inclui ainda a câmara escura, que revelou imagens do Sol desde os anos 50 até 2007. «A evolução é notória: hoje temos câmaras e instrumentação atualizada, permitindo um olhar mais preciso sobre a atividade solar», detalhou Ricardo Gafeira.

O percurso expositivo convida também à observação directa da superfície solar através de um percurso exterior. «Queremos proporcionar uma experiência completa, permitindo que cada visitante compreenda a estrutura e dinâmica do Sol tal como a ciência o descreve», referiu o diretor do Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra.

Visitantes Nos Cem Anos Do Espectroheliógrafo Fig 10

O instrumento astronómico foi montado em 1925, mas só em 1926 começou a ser produzido em série, tendo a sua aquisição sido pré-comprada antes desse período, embora a produção tenha sido atrasada pela 1.ª Guerra Mundial. A parceria para a instalação deste aparelho em Portugal foi intermediada por Costa Lobo, que negociou com o Observatório de Meudon, em Paris, onde existe um instrumento gémeo.

A escolha de Portugal para a instalação do instrumento deveu-se às condições meteorológicas, uma vez que em Paris o elevado número de dias nublados impede a captação de imagens do céu, condição que em Portugal é mais favorável, permitindo um olhar mais preciso sobre a atividade solar.

O percurso expositivo convida também à observação direta da superfície solar através de um percurso exterior. «Queremos proporcionar uma experiência completa, permitindo que cada visitante compreenda a estrutura e dinâmica do Sol tal como a ciência o descreve. Para ver como é o melhor é mesmo ir e visitar», desafia.

Junho 11, 2026 . 08:32

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