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Universidade de Coimbra capaz de alojar até 1.500 estudantes

Ontem foram inauguradas duas residências universitárias e há mais três em obras, a concluir em breve. A UC terá, no próximo ano letivo, cerca de 1.500 camas disponíveis

A Universidade de Coimbra inaugurou ontem à tarde duas residências estudantis, uma na Rua dos Combatentes (90 camas) e a outra na Rua da Alegria (42), em cerimónia que contou com o reitor Amílcar Falcão e o ministro da Educação Fernando Alexandre.
Está prevista a inauguração de mais três residências universitárias, após obras de reabilitação e edificação, na Rua António José de Almeida (202 camas), Camões (156) e Monumentais (41). Estarão prontas no início do próximo ano letivo, assegurou o reitor, ao notar que com estas obras a capacidade de camas estudantis da Ação Social da UC sai reforçada e fica com possibilidade de alojamento para 1.500 estudantes.
O investimento global, na ordem dos 22 milhões de euros, «é bastante elevado», do Estado e de receitas próprias da UC, mas irá permitir um ano «mais aliviado» do ponto de vista da habitação para os estudantes, com um preço «bastante reduzido em comparação com o mercado». Isto num cenário em que «a habitação é seguramente um travão ao elevador social», acrescentou Amílcar Falcão.
As duas inaugurações de ontem, assinalou Fernando Alexandre, «fazem parte de um processo de recuperação e construção de novas residências estudantis», que «vai permitir aumentar em mais de 11 mil camas» a disponibilidade no próximo ano letivo.
Ou seja, focou o ministro da Educação, Ciência e Inovação, a disponibilidade passa a ser «de 26 mil camas» para o Ensino Superior, mediante um investimento de mais de 500 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. O governante, que durante a manhã visitou a obra de residência do “Quarteirão das Nogueiras” (200 camas, do Fundo Coimbra Viva, que tem como investidores institucionais a Câmara e o IHRU), frisou que o investimento na ação social, nas residências, «é fundamental para ultrapassar um dos principais obstáculos no acesso ao Ensino Superior, que é precisamente a dificuldade de alojamento para os estudantes deslocados». Há atualmente cerca de 60 residências em obra e 7.500 das novas camas estão concretizadas, disse, antevendo um ano letivo 2026/2027 muito diferente na área da habitação para os estudantes bolseiros.

Novo modelo de Ação Social, que altera a gestão das residências, é focado no bem-estar do estudantes, assegura ministro

Fernando Alexandre, que foi estudante bolseiro em Coimbra e esteve alojado na Residência Alegria, afirmou que estas «infraestruturas são essenciais para o acesso ao Ensino Superior e também para o sucesso e para o bem-estar dos estudantes». As residências «vão ser geridas de forma diferente», disse o governante, referindo-se ao novo modelo de Ação Social, cujo regulamento foi apresentado na semana passada a grupos parlamentares, ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e às instituições académicas. «Estamos a receber contributos e pensamos que na próxima semana teremos o projeto definitivo», antecipou, ao notar que também se aguarda a promulgação pelo Presidente da República do decreto-lei do novo sistema de Ação Social.
«Vai ser uma mudança gran­de», perspetivou, dando o exemplo do financiamento adicional por cama de mais de 20% (cerca de 30 euros a mais, por mês, por estudante). O que significa que, em caso de preenchimento das 26 mil camas, as universidades vão receber, através da Ação Social, cerca de mais oito milhões de euros anuais.
«Nós queremos uma gestão mais focada no bem-estar e na integração de estudantes que contribua para o sucesso», sustentou Fernando Alexandre, antes de indicar que o novo regulamento de Ação Social vai atribuir a bolsa máxima a todos os estudantes de agregados familiares com rendimentos abaixo do limiar da pobreza (cerca de 25% do total de bolseiros, mais ou menos 20 mil).
A concluir, o governante reforçou as palavras de Amílcar Falcão, reiterando que o Ensino Superior tem de continuar a ser «elevador» social. É isso «que tem mudado o nosso país e a vida de milhões de portugueses», afirmou.

Junho 4, 2026 . 07:30

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