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“Fico feliz de ter conseguido engrandecer a Queima das Fitas”

Em entrevista ao Diário de Coimbra, Carlos Missel, coordenador-geral da Queima das Fitas nas últimas seis edições, sai com sentimento de missão cumprida.

Foram nove noites de festa na Praça da Canção. Que balanço faz de mais uma edição da maior festa académica do país?
Carlos Missel Com a noite de sexta-feira, que foi uma das maiores noites de sempre da Queima das Fitas, tivemos um acréscimo à volta dos 5, 6 mil bilhetes em relação à edição anterior. Acreditamos que com a noite do Antigo Estudante (sábado) conseguimos chegar às 220 mil entradas. Sabemos que as sextas-feiras e os sábados são noites muito fortes e, desde que, anunciámos o cartaz do dia percebemos logo que ia ser uma noite com muita adesão. O tempo neste tipo de festa é sempre uma ajuda, mas é um bocado dúbio. O bom é que não choveu, acima de tudo porque as pessoas compram muitos bilhetes no dia e se estivesse a chover nem sequer vinham. Contudo, a Praça da Canção sendo à beira-rio não deixa de estar um bocado fresco à noite.

Depois de seis anos à frente da Queima das Fitas. Qual é a retrospetiva que faz?
Esta foi a minha sexta edição à frente da organização, mas no total foram 10 Queimas das Fitas. Acho que o balanço é positivo, porque as pessoas que acima de tudo conheceram a Queima das Fitas e, principalmente, as últimas seis edições conseguem perceber que houve uma evolução enorme. Não só ao nível da organização, como também das infraestruturas, das condições para quem vem à festa e, acima de tudo, também o mediatismo. Nós não éramos fortes a comunicar e, neste momento, somos um motor muito forte de comunicação e as próprias marcas, associações reconhecem isso. A par disso, o facto da Queima das Fitas ser muito boa a chegar a mais pessoas, tem sido aproveitado para dinamizar campanhas solidárias. No fundo, o balanço que eu faço é extremamente positivo e fico feliz de ter conseguido engrandecer a Queima das Fitas.

Qual é a melhor memória que tem da Queima das Fitas?
As melhores memórias são sempre aquelas de situações difíceis, mas que conseguimos sempre ultrapassar. Para mim, dessas situações que temos todos os anos fica a superação, o companheirismo, a solidariedade da equipa e das entidades parceiras para a resolução dos problemas. Tivemos situações muito complexas. Por exemplo, a questão do Covid-19, porque foi um ano mesmo muito difícil, por ser um dos primeiros grandes eventos no país, sem ser jogos de futebol. Foi uma enorme responsabilidade da nossa parte, logo no primeiro ano em que assumi o cargo de coordenador-geral. Mas deu-me um arcabouço enorme. A partir daí pensei que era capaz de superar tudo o que viesse. Depois tivemos a alteração do cortejo por causa dos Coldplay; a questão da Serenata não se realizar na Sé Velha, as falhas elétricas que tivemos este ano por causa das cheias e que não esperavamos mesmo nada... Se fosse fácil não era para nós.

"As melhores memórias são sempre aquelas de situações difíceis, mas que conseguimos sempre ultrapassar"

O concerto da Ivete Sangalo na Queima das Fitas, em 2023, foi um sucesso e a noite com o maior número de entradas de sempre. Como é que foi a experiência de receber uma artista destas?
Deu-me um particular gosto conseguir tratar toda a logística de uma artista desta dimensão. Desde os hotéis, a chegada dela no aeroporto, à vinda para o recinto com escolta policial. Deu trabalho e é uma das grandes memórias que vão ficar.

Houve algum pedido mais difícil de concretizar?
Há sempre muitos pedidos complicados, até pela questão da disponibilidade. Porque há artistas internacionais que pedem coisas muito específicas que nós aqui em Portugal não temos e, por isso, temos que andar à procura para tentar satisfazer esses pedidos. Também houve uns pedidos engraçados. Na altura da vinda da Ivete Sangalo recebi o rider técnico e lá no meio pedia uma arara e a equipa ficou toda sem perceber. Ficaram em choque e já se falava sobre a questão do bem-estar animal, do direitos do animais e acabei por deixar proliferar essa dúvida. Só no final é que disse que a arara era um charriot de roupa e não um animal. Tive um particular gosto em deixar a malta da minha equipa em pânico e dizer-lhes que tinham mesmo que contactar o Jardim Zoológico de Lisboa para ver se tinham alguma arara disponível para vir para o recinto.

Entrevista Carlos Missel Fig 5

A Queima das Fitas não é apenas uma festa de estudantes, é uma festa da cidade e com isso surgem todos os anos críticas quanto ao lixo e ao barulho...

É sempre complicado ter pontos de equilíbrio numa cidade enorme como Coimbra. É uma cidade, acima de tudo, de ex-estudantes e que acolhe muito bem os estudantes e a Queima das Fitas. Porém, temos outros cidadãos que se queixam e temos que respeitar. Quanto à questão do barulho já no ano passado tentámos antecipar os horários, mas não foi uma solução que tenha tido adesão pelos estudantes. Eu não sei de onde é que foram buscar essa tradição, mas tem sido um hábito que nós tentámos combater, sem sucesso. Ao mesmo tempo, tentámos agilizar o horário com os artistas, mas muitas vezes o recinto estava vazio à hora em que era suposto começar o concerto. Temos limitadores de som e devemos ser dos únicos eventos da cidade que os coloca e investimos muito nos equipamentos de som para ter melhor qualidade, sem ser necessário aumentar o som. Estas questões foram exigências da organização para o palco principal. Por outro lado, temos o lixo que é muito impactante. Muitas pessoas acabam por tirar fotos e reclamar logo na hora a seguir ao final da festa... O que eu posso afirmar é que tivemos recentemente uma reunião com as entidades municipais do departamento de Ambiente e soubemos que outras festas académicas do país e municípios entraram em contacto com o município de Coimbra para perceberem como é que nós fazíamos aqui, porque éramos um exemplo em termos de recolha de lixo e de limpeza.

 

"Quanto à questão do barulho já no ano passado tentámos antecipar os horários, mas não foi uma solução que tenha tido adesão pelos estudantes"

Todos os anos, os grupos académicos de uma forma mais formal ou menos formal, apresentam algumas queixas, principalmente, pelo horário de atuação. De que forma é que, até para o futuro, isto pode ser melhorado de alguma forma?
Com os grupos académicos, às vezes é muito complicado arranjar equilíbrio. Nós tentámos sempre melhorar as condições para eles, desde logo com a mudança dos horários de atuação para antes do artista principal, mas começaram a perceber que não havia gente, porque muitas vezes nem conseguimos pôr público para os artistas do palco principal cedo, muito menos iriamos conseguir para os grupos académicos. Deixámos que passassem para depois do artista do palco principal, mas sempre com o risco das pessoas se mudarem rapidamente para a tenda.

Para o futuro que melhorias gostava de ver na Queima das Fitas?
Sinceramente, acho que o recinto da Queima das Fitas não está preparado para um evento desta dimensão. Tem sido um trabalho feito durante os últimos anos tanto junto do Município. Tive também a colaboração da Universidade de Coimbra no sentido de apresentarmos um projeto, porque acreditamos que os nossos estudantes merecem um recinto da Praça de Canção com melhores condições para receber os milhares de estudantes e pessoas. Este ano, tivemos muitas dificuldades por causa dos danos provocados pelas cheias, os próprios edifícios de apoio estão a necessitar de obras, este piso já não se justifica e temos tentado colmatar com a relva sintética e com rega constante, mas é difícil. Era uma grande objetivo conseguir melhorar este espaço da cidade.

Já existe alguém para assumir o cargo no futuro?
Sim, está a ser pensado, como é óbvio. Nos próximos tempos vai haver um processo de candidatura e essa pessoa em questão também se irá candidatar. Dizer-lhe que conta com o meu apoio e acima de tudo com a minha colaboração, no sentido de lhe dar todas as ferramentas e toda a informação para conseguir fazer melhor do que eu e que a queima das fitas ganhe com isso.

Junho 1, 2026 . 10:03

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