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Espinhal recuou a 1906 para celebrar a elevação a vila com “vivas” ao rei

Cerca de 70 figurantes participaram em reconstituição histórica da chegada de João Franco, presidente do Conselho de Ministro (com FOTOGALERIA)

Há 120 anos, o Espinhal engalanou-se para receber João Franco, presidente do Conselho de Ministros, que se deslocou àquela localidade do concelho de Penela para assinar o decreto de elevação à categoria de vila, um desejo da população desde o século XVIII.

Ontem, cerca de 70 cidadãos, todos eles com ligações à vila, uniram-se para recriar esse momento, com «os humildes e os abastados» da terra, unidos numa celebração que ficou para a história.

“Viva o Rei D. Carlos”, “Abaixo as leis e não o rei”, “Direitos iguais” e “escolas para as meninas”. Tal como em 1906, também ontem se ouviram palavras de ordem, num regresso ao passado com as personagens vestidas a rigor, desde os mais pequenos aos mais crescidos.

Em 2006, Espinhal recriou também este momento de elevação a vila e, nessa altura, quem interpretou João Franco foi Joaquim Rodrigues, tal como ontem voltou a acontecer. A acompanhá-lo, estava Ana Dias, a esposa na vida real e na “ficção”. Ambos chegaram de charrete, sob escolta da Guarda. Aos pais junta-se a filha, que, em 2006, com 10 anos, interpretou uma das crianças presentes e, ontem, participou como esposa de um dos conselheiros.

«Nós, normalmente, fazemos parte de algumas brincadeiras teatrais e gostamos», sublinhou Joaquim Rodrigues, realçando que existe um grupo de teatro - “Espalha Brasas” -, que, na altura das festas, realiza alguns eventos. «Começámos uma brincadeira, há uns atrás, por altura do fim de ano escolar, com o Capuchinho Vermelho e eu era o Lobo Mau. Reparámos que tínhamos algum jeito e continuámos», frisou.

Luís Dias, presidente da Junta de Freguesia de Espinhal, também vestido “à época”, salientou a importância de celebrar o momento que foi «marcante» como aquele em que «João Franco traz o decreto para entregar ao padre da paróquia».

A acompanhar o cortejo, que decorreu entre o Parque Infantil da Quinta da Cerca e o Largo da Igreja Matriz, o presidente da Câmara Municipal de Penela, Eduardo Nogueira dos Santos, destacou a «importância histórica tremenda» da vila. «Hoje é um momento de festa para a freguesia, mas também para o concelho de Penela é um momento que nos orgulha muito» e que permite «que os mais jovens percebam a importância» do que aconteceu em 1906, até porque nunca é demais «conhecermos o passado para podermos projetar devidamente o futuro».

Eduardo Nogueira dos Santos reforçou a relevância do Espinhal para o concelho de Penela, seja «pela sua história», seja «por aquilo que acrescenta ao território».

«Tem um património marcante, do qual posso destacar a Pedra da Ferida, a Praia Fluvial da

Louçainha, que estamos a preparar para requalificar e cujo concurso público será lançado dentro de dias», frisou o autarca, sem esquecer a ampliação da zona industrial, “às portas” da freguesia.

Terminado o desfile da reconstituição histórica, houve partilha do bolo de aniversário e de um Espinhal de honra, terminando as comemorações com o descerramento da placa e uma sardinhada.

Julho 20, 2026 . 09:40

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