
Histórias dos primeiros 10 anos de vida do Diário de Coimbra
Há seis anos, por ocasião do 90.º aniversário do Diário de Coimbra, iniciámos a publicação de um espaço semanal com a finalidade de recuperar e trazer para a atualidade histórias, episódios e acontecimentos que ao longo de nove décadas foram notícia nas páginas deste jornal.
A consulta atenta e detalhada das preciosas coleções do jornal, desde a primeira publicação a 24 de maio de 1930, revelou-se uma experiência tão rica como surpreendente, resultando em mais de trezentas páginas, publicadas ininterruptamente, aos domingos, desde 26 de janeiro de 2020.
Em mais de um milhar de textos, fizemos com os leitores uma viagem no tempo, recordando momentos que marcaram e consolidaram a relação do jornal com Coimbra e a Região das Beiras. Nestas páginas, com o devido enquadramento à luz do que hoje conhecemos da História, relembraram-se ou resgataram-se do esquecimento inúmeros factos, curiosidades, casos insólitos e acontecimentos que foram marcantes na vida de Coimbra, da região, do país e até do mundo. Recordámos as iniciativas do jornal e as causas em que se envolveu como promotor e dinamizador, observámos o modo como noticiou e acompanhou a evolução desta cidade e da região, como deu voz às preocupações, interesses e anseios das populações.
E tão interessantes foram os primeiros anos da vida do Diário de Coimbra que se justificou dedicar exclusivamente estas páginas de memórias à primeira década do jornal.
Chega hoje ao fim esta série de publicações, mas o Diário de Coimbra continuará a trazer aos leitores as suas memórias, neste ou noutros formatos.
Fechamos o capítulo recordando nove das páginas publicadas, com as respetivas datas. Mas este valioso contributo histórico ficará disponível, gratuitamente, na área de suplementos do site do Diário de Coimbra. Veja, que vale a pena!
Causou sensação em Coimbra a estreia dos filmes sonoros
O aparecimento do nosso jornal em 24 de maio de 1930 quase coincidiu com a inauguração dos filmes sonoros nas duas salas que, na época, maravilhavam o público de Coimbra com as últimas novidades da sétima arte. O Tivoli, na Avenida Navarro, estreou o sonoro a 25 de junho de 1930 com o filme “Diabo Branco” , no mesmo dia em que o Teatro Avenida, na Sá da Bandeira, exibiu com a nova tecnologia “O Cantor Louco”, curiosamente dez dias após ter começado a aplicar a proibição de fumar nas sessões. Renovado, o Teatro Sousa Bastos reabriu a 9 de julho de 1933 também com cinema sonoro. (Página publicada a 29/3/2020)

Bando precatório acudiu às famílias das vítimas de tragédia marítima
Na noite de 6 de novembro de 1932, uma tragédia marítima enlutou a comunidade piscatória da Figueira da Foz, com a morte de dez pescadores da Costa de Lavos e de Buarcos. Os bandos precatórios realizados em Coimbra e na Figueira por iniciativa do nosso jornal renderam mais de 14 contos, distribuídos pelas famílias das vítimas. Um ano depois, a 4 de dezembro de 1933, uma traineira virou--se à entrada da barra da Figueira da Foz, com perda de 12 vidas. A tragédia levou o jornal a reclamar, mais uma vez, a urgência de concluir as obras para garantir circulação segura às embarcações no porto da Figueira. (Página publicada a 19/12/2021)

Coimbra parou para ver cair a imponente Torre de Santa Cruz
As brechas na torre sineira do antigo Mosteiro de Santa Cruz vinham dando sinais da degradação do monumento, cuja peculiar silhueta se destacava na zona central da cidade. Foram em vão os alertas nas páginas do jornal para a urgência de acudir à torre da Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, contígua ao edifício que albergava a cadeia comarcã e a 2.ª esquadra da PSP. «Ontem, às 17h20, ante milhares de pessoas que a observaram de todos os pontos da cidade, a Torre de Santa Cruz ruiu completamente, cedendo aos efeitos da água», destacou o Diário de Coimbra na edição de 4 de janeiro de 1935. (Página publicada a 10/12/2023)

Incêndio reduziu a cinzas o Coliseu de Coimbra no Rossio de Santa Clara
Com uma lotação de 10 mil pessoas, a maior arena das praças de touros do país foi durante quase uma década palco não só de exibições tauromáquicas, incluindo as tradicionais garraiadas dos festejos académicos, mas também de populares sessões de cinema ao ar livre, espetáculos musicais, variedades, circo e até combates de boxe. Inaugurado a 26 de julho de 1925, o Coliseu de Coimbra, totalmente construído em madeira no Rossio de Santa Clara (onde hoje se encontra o Portugal dos Pequenitos), foi completamente devorado pelas chamas ao final da tarde de 4 de abril de 1935. (Página publicada a 18/2/2024)

Lançado de um avião suplemento do jornal em prol do “aeroporto”
O jornal apoiou desde a primeira hora as iniciativas para equipar esta cidade com uma pista de aviação. Só dez anos após os primeiros estudos, que chegaram a sugerir terrenos na Lomba da Arregaça, viria a concretizar-se o aeródromo de Coimbra, em Antanhol, inaugurado a 15 de julho de 1940. No dia 6 de janeiro de 1935, o avião comercial “Águia Branca” lançou sobre a cidade «milhares de exemplares» de um suplemento com que, nesse dia, o jornal fez ressurgir a campanha em prol do campo de aviação, que viria a ser uma realidade graças ao envolvimento do influente Bissaya Barreto. (Página publicada a 17/3/2024)

Praia Fluvial foi ponto de encontro de Coimbra durante o verão de 1936
Em ano especial de celebração do sexto centenário da morte da padroeira de Coimbra, a Comissão das Festas de 1936 chamou a si a tarefa de organizar a Praia Fluvial, iniciada no ano anterior, em complemento ao extenso programa de atividades no Parque da Cidade. Inaugurada a 2 de julho, incluía duas grandes esplanadas, em cada uma das margens, ligadas à zona de banhos por pontes. No verão, a canícula empurrava a população para o Mondego, onde a praia fluvial abria a partir das 7h00 para «banhos, diversões e desportos náuticos». Foi um sucesso, que se repetiu até 1945. (Página publicada a 2/2/2025)

“Pescadores de laranjas” e “gondoleiros” lucravam com as cheias de Coimbra
Pelo menos quatro vezes, ao longo da década de 30, o centro de Coimbra foi inundado por falta de capacidade da rede de saneamento em escoar as fortes chuvadas, mas também devido a cheias do Mondego, que se encontrava assoreado. Em finais de janeiro de 1937, um violento temporal, com chuvas torrenciais e constantes ao longo de quase uma semana, causou prejuízos enormes e deixou submersa boa parte da zona baixa da cidade. Para sair de casa, só de barco. E também havia quem, no meio da desgraça, tirasse lucro daquilo que o rio arrastava dos campos marginais, em particular dos laranjais de Coimbra. (Página publicada a 15/6/2025)

Doze jovens morreram em trágico simulacro na Praça da República
Está na memória coletiva de Coimbra como uma das suas mais terríveis tragédias. Para demonstrarem as capacidades de resposta, os Bombeiros Municipais organizaram a 6 de julho de 1938, no segundo dia das Festas da Cidade, um simulacro de incêndio num prédio em madeira, de três andares, expressamente construído para esse fim na Praça da República. O espetáculo de «realismo empolgante, com todos os riscos e emoção», correu muito mal e milhares de pessoas assistiram horrorizadas ao desastroso exercício, em que 12 jovens figurantes perderam a vida na casa esqueleto em chamas. (Página publicada a 11/3/2026)

A apoteótica receção aos conquistadores da 1.ª Taça de Portugal
Numa das mais gloriosas páginas da sua história, a Académica trouxe em 1939 para Coimbra o primeiro troféu da Taça de Portugal, “prova rainha” do futebol nacional que, nessa temporada desportiva, sucedeu à competição do Campeonato de Portugal, organizado pela federação entre 1922 e 1938. A 25 de junho, a Académica terminou a época de forma brilhante, batendo o Benfica por 4-3 no Campo das Salésias. Tal como em 2 de novembro do ano anterior, quando os estudantes regressaram de uma digressão de mais de três meses por Angola e Moçambique, foi apoteótica a receção de Coimbra aos heróis da Taça. (Página publicada a 17/5/2026)













