
“Em Voz Alta” sensibiliza para perigos do mundo digital
De jovens para jovens foi o que aconteceu ontem no auditório da Escola Secundária José Falcão, com a última sessão do projeto EVA – Em Voz Alta, uma iniciativa levada a cabo no âmbito do projeto Geração Horizonte. À primeira vista, uma palestra sobre funcionamento das redes sociais, mas com a particularidade de serem jovens estudantes, algumas universitárias e outras ainda no Secundário a promover uma conversa, ao princípio unilateral, mas que, aos poucos se tornou mais interativa.
Depois da sessão de abertura e da apresentação do projeto Geração Horizonte, que nasceu no início deste ano, a partir de uma preocupação de Carolina Araújo, aluna do 2.º ano de Direito que, recordando a sua experiência pessoal, percebeu que tanto ela como outros jovens terminam o ensino secundário, entram na Universidade e, de facto, «não estão devidamente preparados para a complexidade social, económica e digital do século XXI». Há um conjunto de conceitos e saberes que, durante o percurso escolar, quase nunca são abordados. Por exemplo, diz Carolina Araújo, «há jovens que não têm qualquer noção de conceitos políticos, como não saber a diferença entre Assembleia da República e Governo».
Uma missão a que se juntaram outras jovens com as mesmas preocupações
Foi assim que nasceu a Geração Horizonte, com o objetivo de ajudar os jovens estudantes a desenvolver o pensamento crítico, contribuindo para a formação de uma geração mais consciente e preparada para enfrentar os desafios sociais, culturais e digitais do mundo contemporâneo.
Uma missão a que se juntaram outras jovens com as mesmas preocupações. A maioria, também estudantes de Direito, à exceção de Gabriela Lemos que frequenta o 12.º ano, do Curso de Humanidades, na Escola Secundária José Falcão. Bruna Fonseca, também do 2.º ano de Direito referiu ao Diário de Coimbra que «o que nos diferencia é o facto de sermos jovens a falar para jovens». Há uma proximidade geracional, até porque «sentimos todos os mesmos desafios, medos e inquietações».
Por outro lado, acrescenta Bruna, a forma como abordamos os diferentes temas, como o da sessão de ontem que incidiu mais «sobre o funcionamento das redes sociais e como podemos ser manipulados, influenciados e até incorrer em delitos com consequências legais», facilita a interação com o nosso público. Bruna dá como exemplo o facto de Carolina Araújo, que conduziu os trabalhos, ter começado por perguntar o nome a cada um dos presentes. «É algo que cria alguma empatia e convida ao diálogo».
Sessões vão ter continuidade no próximo ano letivo noutras escolas
Por isso, estas sessões, que vão ter continuidade no próximo ano letivo noutras escolas, são extremamente importantes, mas as promotoras do projeto consideram que estes conceitos também devem ser reforçadas na escola. Gabriela Lemos refere que «a disciplina de Cidadania não tem sido suficiente para sensibilizar os alunos para estas questões e disponibilizar-lhes outras ferramentas que serão muito úteis para enriquecer o perfil do aluno à saída do Secundário», que Carolina Araújo sintetiza, dizendo que são competências de «sobrevivência no mundo dos adultos».
Portanto, acrescenta a Leonor Guerreiro, estas palestras funcionam «como um alerta e uma primeira sensibilização», numa ideia corroborada por Catarina Bernardo, incentivando os alunos a compreender melhor os mecanismos de influência presentes no ambiente digital a bem de uma relação mais consciente e crítica com a informação.
Até ao próximo ano letivo, as promotoras do projeto vão continuar a trabalhar, não só na possibilidade de introduzir outras temáticas, desde literacia financeira à mediática ou jurídica e outras, mas também «pensar» a Geração Horizonte «de forma estrutural e formal» para que a mensagem chegue a outros jovens, seja a nível concelhio ou mesmo nacional. Para tal, numa primeira fase «precisamos que se conheça o nosso trabalho», depois «precisamos de apoio», explica Carolina Araújo, deixando um repto à autarquia de Coimbra e a outras entidades que se preocupem com estas questões.












