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A Chave” ganha Prémio João Gaspar Simões

Livro escrito por Margarida Fonseca Santos é retrato da invisibilidade feminina e foi distinguido por unanimidade pelo Município da Figueira da Foz

O panorama literário português tem uma nova obra de destaque.

O romance “A Cha­ve”, da autoria de Margarida Fonseca Santos, foi o grande vencedor da VIII edição do Prémio Literário João Gaspar Simões (2024/2025).

A decisão, anunciada pelo município da Figueira da Foz, foi unânime e a obra, que já chegou às livrarias pela chancela Oficina do Livro, foi apresentada recentemente na Sala de Leitura da Biblioteca Pública Municipal Pedro Fernandes Tomás, integrando as comemorações do 116.º aniversário da instituição.

«Foi uma alegria imensa receber este prémio, porque concorri de propósito para me obrigar a acabar este romance que levou anos a escrever. É um renascer para mim, porque estive muito doente e cheguei a pensar que já não fosse trabalhar mais… Agora estou numa fase muito bonita da minha vida», contou a escritora, em declarações ao Diário de Coimbra, sobre a conquista deste prémio literário que foi alcançada com uma obra que tem a Figueira da Foz como inspiração para o cenário de veraneio na década de 70.

Margarida Fonseca Santos, natural de Lisboa, reforça com este galardão o seu papel de destaque na literatura contemporânea, marcando com "A Chave" um regresso ao romance, onde se foca na voz que muitas vezes fica por dizer.

«Este livro gravita à volta das criadas de família. A história é sobre uma menina de 11 anos que foi retirada de sua casa para ser criada interna e lá ficou uma vida inteira, sendo tratada como uma ‘não pessoa’ ou uma ‘pessoa de segunda’.

Em todo o meu processo de escrita sempre tive necessidade em falar de pessoas que são invisíveis e há muitas na sociedade. No fundo quis prestar uma homenagem a estas pessoas e dar-lhes voz. É algo que me faz sentido», explicou.

Sem querer desvendar muito sobre “A Chave”, a escritora revelou apenas que há três personagens que falam na primeira pessoa - a Deolinda que é a criada, um escritor que foi criado por esta mulher e uma editora (profissão rara para uma mulher da época) - que contam a mesma história sob três pontos de vista diferentes.

Daí o “grande desafio” técnico e criativo da obra, de acordo com a sua autora, foi garantir a distinção estilística entre as três vozes narrativas.

Por fim, Margarida Fonseca Santos referiu que existe uma chave - que deu o mote para o título do livro - que vai ser o “motor” para o final do romance e terminou a conversa desejando que os leitores «se comovam» e consigam «manter um olhar atento» sobre a sociedade para «trazer estas pessoas invisíveis» à tona.

Maio 24, 2026 . 09:30

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