
Mira “abraça” Ucrânia em ondas de esperança
Não há mares, rios ou oceanos capazes de afastar povos quando a vontade é criar pontes. Pelo contrário. Unem. E será entre as ondas do Oceano Atlântico e as águas da Barrinha de Mira que cerca de três dezenas de estudantes e professores ucranianos vão encontrar, durante uma semana, um cenário distante da guerra que continua a marcar o quotidiano do seu país. Mira recebe, por estes dias, um intercâmbio juvenil, o “Waves for Wellbeing”, integrado no programa Erasmus+, promovido pela Associação de Surf da Costa de Prata, com o apoio do Município de Mira, juntando jovens portugueses e ucranianos numa experiência de aprendizagem intercultural, bem-estar e contacto com o território.
A iniciativa pretende ir muito além do surf. Ao longo dos próximos dias, os participantes terão contacto com tradições locais, gastronomia, atividades náuticas e momentos de partilha cultural, numa experiência pensada para proporcionar integração e novas vivências a jovens oriundos da cidade ucraniana de Chercássi.
Bruno Maduro, vereador da Câmara Municipal de Mira, destacou a importância humana do projeto. «Este é um projeto que aceitámos desde o primeiro momento. Estes intercâmbios, esta interculturalidade, promover este momento, proporcionar o contacto com uma realidade completamente diferente, eles que têm tido guerra apesar de não estarem na frente são alvos de drones e ouvem esses barulhos mas também o dos míssseis. É um orgulho e sei que Mira lhes vai dar uma semana fantástica», afirmou.
Também Diogo Barbosa, da Associação de Surf da Costa de Prata, sublinhou que o objetivo passa por criar uma experiência completa. «Será uma semana intensa. Não nos quisemos só focar no surf mas que seja muito mais que isso para esta comitiva que tem alunos e professores. Focámo-nos no intercâmbio juvenil, em dar experiências gastronómicas, culturais e tradicionais de Mira, da Praia de Mira e da região gandaresa. Queremos entregar o melhor que a nossa região tem a estes jovens», referiu, acrescentando que os participantes chegaram «cheios de energia e com grande vontade de se integrarem», fundamentou “guia” do grupo por estes dias.
Da Agência Erasmus+, o diretor Luís Alves lembrou que este tipo de programas representa «uma promessa cumprida» e revelou que a agência acompanha atualmente cerca de 80 projetos semelhantes envolvendo dezenas de instituições europeias. «Acreditamos muito no poder destes projetos para unir os diferentes povos da Europa», salientou o dirigente.
“Este local é lindo. Mágico”
Da parte da comitiva ucraniana, a diretora da escola First City Gymnasia, de Chercássi, Kateryna Tkachenko, falou numa «grande oportunidade de novas experiências» e de partilha da «resiliência do povo ucraniano». Encantada com a receção, resumiu as primeiras sensações em poucas palavras: «Este local é lindo. Mágico». A responsável revelou ainda que, a partir do próximo ano letivo, a escola começará a lecionar português.












