
Subida da Briosa: O treinador que nunca desistiu e o capitão que sempre acreditou
25 de janeiro de 2025. Estádio do Restelo. A Académica acabara de empatar sem golos diante do Belenenses, num jogo da última jornada da primeira fase da Série B da Liga 3. A Briosa, que duas semanas antes estava numa posição prometedora para o apuramento para a Fase de Subida, ficou pelo caminho. Ficou a faltar um golo, ficou a faltar uma vitória.
Foi um momento duro para uma equipa que fez por merecer mais e que teve de se contentar com a luta pela manutenção, o que viria a alcançar sem grande dificuldade. António Barbosa era o treinador da equipa e Leandro Silva o capitão. Dois dos principais rostos dessa Briosa 2024/2025 que viu o sonho escapar, mas esses dois protagonistas nunca desistiram e acreditaram que o momento iria chegar custe o que custasse.
António Barbosa chegou a Coimbra em outubro de 2024. Na altura, rendeu Pedro Machado no comando técnico, mas apesar de ser um treinador livre o seu ingresso não foi imediato, de tal forma que entre a saída do antecessor e a entrada do sucessor passaram cerca de duas semanas, com Fausto Lourenço (treinador adjunto) a assumir as rédeas da equipa.
O novo treinador, que começou na Escola de Futebol Fernando Pires e que teve passagens por Vilaverdense, Trofense, Prozis Academy, Famalicão e Sanjoanense, não podia ter arrancado melhor. A estreia a 5 de outubro teve direito a vitória no reduto do 1.º Dezembro por duas bolas a uma. Foi o primeiro de quatro triunfos consecutivos que “catapultaram” a formação da cidade do Mondego dos lugares perigosos da classificação para o “top 4” da Série B. De resto, entre 5 de outubro e 12 de janeiro, a Briosa não perdeu. Foram cinco vitórias e quatro empates. Uma volta inteira sempre a somar que deixavam antever uma presença na Fase de Subida. Mas não.
A única derrota na “era António Barbosa” na primeira fase, curiosamente contra o primeiro adversário que derrotou (1.º Dezembro), deixou os “capas negras” a precisar de ganhar no Restelo, mas como já recordámos no início do texto o final não foi feliz.
Para a nova época, nova participação na Liga 3, a quarta consecutiva. Mas, pelo meio, houve eleições e, como tal, além da dúvida de quem seria o presidente, também não estava garantida a continuidade do treinador. A verdade é que Joaquim Reis foi eleito o novo líder da Académica/OAF e acabou por renovar com António Barbosa, assim como com o diretor desportivo David Caiado, numa aposta na continuidade.
O arranque de temporada não foi o desejado e o treinador, até porque já tinha ficado ligado ao “falhanço” do apuramento em 2024/2025, chegou a ser contestado pelos adeptos, nomeadamente depois da eliminação da Taça de Portugal diante do Marialvas.
Porém, a Direção foi firme, não colocou em causa o trabalho do treinador e da equipa técnica, e essa aposta teve agora excelentes resultados com a promoção ao escalão secundário. Barbosa teve o mérito de montar uma equipa forte, a mais competitiva dos quatro anos de Liga 3, que nunca desistiu e que dominou a maioria dos adversários. Mais do que uma equipa espetacular foi uma equipa adulta em todos os momentos do jogo e que com o passar do tempo conquistou tudo e todos. E aí, houve dedo do treinador, sem dúvida nenhuma.
Leandro “ajustou contas” com o passado
Foi o dono da camisola 5, mas mais do que isso da braçadeira. E foi um exemplo dentro e fora dos relvados, sendo um dos primeiros a “dar o corpo às balas” nos momentos de maior tensão.
Personificou o espírito da Briosa e era difícil encontrar alguém melhor para capitanear este grupo do princípio ao fim. Foi a verdadeira extensão do treinador dentro do campo e um autêntico “farol” da Briosa. E ele, mais do que ninguém, fez por merecer esta subida de divisão.
Leandro Silva e a Académica são um caso de “amor à primeira vista” desde que cruzaram caminhos em 2015. O médio chegou nesse ano emprestado pelo FC Porto, estava então a Briosa na I Liga. Foi uma temporada negativa para as cores estudantis, pois terminou com a despromoção à II Liga depois de 13 anos seguidos no escalão máximo do futebol português.
O centrocampista nunca mais esqueceu essa marcante época na cidade do mondego, de tal forma que viria a regressar por mais duas vezes (2016/2017 e 2019/2020) com a Académica na II Liga, à procura da “redenção”, da subida de divisão. Mas a glória chegou mesmo à quarta tentativa, numa época com grandes números a nível individual e na qual foi absolutamente vital para o sucesso coletivo.
Leandro, que é um dos três jogadores que representou a turma academista em três divisões diferentes – os outros são Hugo Seco e Marcos Paulo -, já “ajustou contas” com o passado.
"Caras da subida" | Equipa Técnica













