
Protocolo garante requalificação do Museu Monsenhor Nunes Pereira
A aldeia de Fajão viveu uma tarde histórica de homenagem a monsenhor Nunes Pereira (1906 - 2001), um dileto filho da terra, natural da localidade da Mata, que sempre teve uma relação muito próxima com a aldeia e ali deixou marcas significativa da sua obra artística. Aconteceu sábado, com a assinatura do protocolo para a requalificação do Museu Monsenhor Nunes Pereira, a apresentação da terceira reedição, revista e aumentada da obra “Os Contos de Fajão”, numa celebração lúdica e emotiva que envolveu toda a comunidade.
Uma iniciativa integrada no programa “Nunes Pereira. Do Nascimento ao (Re)nascimento”, que decorre até ao final do ano, e envolve um conjunto de municípios, unidos pelo legado do sacerdote-artista e pelo compromisso de o honrar e proteger.
E é precisamente para preservar e proteger esse legado que o protocolo para a requalificação do Museu Nunes Pereira assume especial significado, como «passo decisivo para a valorização deste espaço de memória e identidade». Um documento subscrito pelo Município de Pampilhosa da Serra (assinado pelo presidente, Jorge Custódio), Seminário Maior de Coimbra (reitor Nuno Santos), Museu Nacional de Machado de Castro (assinado por Virgínia Gomes, em representação da diretora, Sandra Saldanha, que não pôde estar presente) e pela Junta de Freguesia de Fajão-Vidual (Aurélio de Campos)
«Um museu não é um depósito de peças e por isso é preciso que este museu tome corpo, tome alma e seja capaz de chamar a atenção do público para a magnífica obra de Nunes Pereira – uma figura incontornável, não só pela parte espiritual, mas também pela parte artística», afirmou Jorge Custódio, presidente da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, que destacou o «contributo decisivo» do autarca local, Aurélio de Campos, para a concretização deste protocolo.
A importância desta parceria para a identidade do espaço e reforço da memória coletiva foi enaltecia pelo reitor do Seminário Maior, onde Nunes Pereira passou grande parte da sua vida e instalou a oficina onde produzia a sua obra criativa. «A identidade do espaço é, de facto, Monsenhor Nunes Pereira e quando perdemos a identidade perdemos força. O que queremos todos é que essa força retorne e esta colaboração vai continuar para isso mesmo», frisou o padre Nuno Santos.
Antes, assistiu-se a um espetáculo teatral itinerante, protagonizado pelo Teatro Comunitário de Montemor-o-Velho e pela Navio – Companhia de Teatro, que percorreu as ruas e espaços da aldeia, com representações inspiradas nos Contos de Fajão, que o público acompanhou, num momento particularmente lúdico e partilhado. A encenação culminou à entrada do Museu Monsenhor Nunes Pereira, onde atores e público de uniam num momento musical conjunto.
A tarde encerrou com a apresentação da terceira reedição, revista e aumentada da obra “Os Contos de Fajão”, uma obra com a assinatura de Monsenhor Nunes Pereira, que integra novos contos, recentemente descobertos. A obra inclui, ainda, fotografias da viagem realizada pelo sacerdote à Alemanha, onde recolheu os baixos-relevos dos contos de Beckum, e matrizes de xilogravuras, reconhecidas como sendo a sua obra maior.
Para Virgínia Gomes, uma estudiosa da obra de Monsenhor Nunes Pereira, esta reedição «comemora a cultura intangível da Beira Serra, recolhida da oralidade por Nunes Pereira» e representa «um testemunho vivo de uma identidade cultural que importa preservar e transmitir às gerações vindouras».
A iniciativa contou com a presença institucional dos municípios parceiros do programa “Nunes Pereira. Do Nascimento ao (Re)nascimento”, nomeadamente Coimbra, Lousã, Arganil, Góis, Montemor-o-Velho e Cantanhede e, naturalmente, a Pampilhosa da Serra. O programa continua até ao final do ano.











