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PAJE: uma década a dar voz e a ser apoio dos jovens ex-acolhidos

Plataforma de Apoio a Jovens Ex-Acolhidos, com sede em Coimbra, faz a festa do aniversário com gala especial amanhã na Sala D. Afonso Henriques

Há 10 anos, a expressão ex-acolhidos estava ausente do léxico português e pouco se sabia (ou queria saber) dos jovens que alcançando a maioridade, deixavam a instituições ou casas de acolhimento onde tinham crescido, em substituição da família tradicional.

Uma década depois, ex-acolhidos entra em conversas e é tema de investigações, como consta da legislação e dos gabinetes ministeriais, sendo também um tema central para instituições internacionais, como a Unicef, por exemplo.

A grande responsabilidade por esta mudança é de uma entidade chamada Plataforma de Acolhimento de Jovens Ex-Acolhidos (PAJE), nascida, precisamente há 10 anos, e que, ainda hoje é a única no país focada no acolhimento dos jovens, após a sua saída das instituições.

«Andámos 10 anos a desbravar caminho», confirma ao Diário de Coimbra João Pedro Gaspar, responsável pela PAJE, e seu principal rosto, consciente da importância do trabalho realizado em níveis fundamentais para a vida destes jovens, como é o caso do emprego, da habitação ou da saúde, em particular a saúde mental.

Nada que se compare com a Inglaterra, onde a Amazon e o Sistema Nacional de Saúde Britânico são os empregadores fundamentais, mas já com o que João Pedro Gaspar chama de «algum sucesso», tendo em conta que, por exemplo, cerca 70 jovens ex-acolhidos encontraram o seu caminho a nível profissional com a ajuda da PAJE.

E com o que o responsável chama uma resposta em forma de «fato à medida», uma vez que é adequada à realidade e às expectativas de cada jovem.

Por isso é que há, entre os jovens ex-acolhidos, um Eder, o herói do Europeu de 2016; um casal que queria ser empresário e abriu um restaurante ou uma jovem que abriu o seu gabinete de estética. Só para dar alguns exemplos.

Depois, no que respeita à habitação, e em Coimbra, estão disponíveis sete apartamentos T0, onde vivem neste momento cinco jovens, numa espécie de “rampa” que lhes permite lançarem-se para a vida adulta.

Aqui está, de acordo com o responsável, um exemplo que gostaria de ver replicado no futuro, com outros municípios do país, consciente de que o trabalho da PAJE é, como diria o velho ditado, não propriamente dar o peixe ou a cana a estes jovens a quem, na sua maioria, foram coartados direitos, mas sim ensiná-los a pescar.

Nem todos os sucessos são estes. De acordo com João Pedro Gaspar, «para alguns, sucesso é chegarem ao final do dia vivos», tendo em conta que há muitos casos de saúde mental que são difíceis de contornar. «Não podemos esquecer que há dois direitos que, à partida, foram retirados a estes jovens: o de crescerem no seio de uma família», sendo esta substituída por uma instituição ou casa de acolhimento, e «o direito a crescer em segurança», o que representa crescer mais permeável à doença psicológica, mental e emocional.

De qualquer modo, e apesar do muito que ainda há para fazer nesta matéria, os últimos dez anos são de um grande caminho andado por parte da PAJE, que tem sede em Coimbra. João Pedro Gaspar dá o exemplo da conquista do Direito ao Arrependimento, uma luta da plataforma conquistada em junho de 2024, altura em que foi colocar em vigor, que permite a um jovem com mais de 18 anos, saído de uma instituição, voltar a ser acolhido caso a sua vida não corra como o desejado.

«Foi uma grande conquista da PAJE», garante João Pedro Gaspar, sublinhando como igualmente histórico o dia em que, por unanimidade, foi aprovada a atribuição à instituição do Prémio de Direitos Humanos pela Assembleia da República.

Todas as conquistas, e também as lutas e projetos futuros da PAJE (com destaque para projetos de empregabilidade), são celebrados amanhã, a partir das 18h30, na Sala D. Afonso Henriques do Convento São Francisco, numa Gala dos 10 anos da PAJE, que contará com momentos musicais e a presença de muitos dos que fizeram e fazem a história da instituição, entre os oradores e os convidados, num total de 150 pessoas.

Destaque para um momento emocionante com testemunhos de ex-acolhidos que, no passado, foram apoiados pela PAJE e outros que, neste momento, estão a receber esse apoio. «Será um momento de celebração e de confraternização», confirmou João Pedro Gaspar, orgulhoso do percurso percorrido.

Maio 18, 2026 . 12:30

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