
Sócrates fala em "enorme sofrimento" com acusações na praça pública
O antigo primeiro-ministro José Sócrates assegurou hoje, no início do julgamento da ação que intentou em 2017 contra o Estado, que as acusações de que foi alvo na praça pública na Operação Marquês lhe causaram "enorme sofrimento".
"Entre 2015 e 2017, fui alvo de uma campanha extraordinária, única no nosso país, que me apresentou como sendo o responsável por atos que são falsos, difamatórios e que são absurdos relativamente à minha ação no Governo", justificou o ex-governante, no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, alegando que cada nova acusação era "mais amalucada do que as anteriores".
Tal "teve impacto extraordinário" na sua imagem e reputação públicas e causou-lhe "um enorme sofrimento", sublinhou o chefe de Governo entre 2005 e 2011.
Questionado pela juíza sobre o sofrimento psicológico por que passou, José Sócrates, de 68 anos, escusou-se a dar pormenores, por não querer permitir "uma humilhação" pública.
"Se um cidadão vê violados os seus direitos, é acusado de tudo, é óbvio que isso provoca angústia, frustração, ansiedade de quando é que isto termina", acrescentou, em tom exaltado.
O antigo primeiro-ministro alegou ainda que perdeu rendimentos quando foi detido em novembro de 2014, altura em que auferia cerca de 25 mil euros por mês de dois contratos que tinha.
José Sócrates admitiu, contudo, que, embora só tenha voltado a trabalhar em 2020, a determinada altura passou a receber a subvenção vitalícia a que tinha direito, "com retroativos".
"A partir do momento em que fiquei sem rendimentos, o Estado ficou a pagar o que me devia", defendeu, frisando que, entre 2015 e 2017 recusou propostas de trabalho porque "poderia ser constrangedor" para quem o iria contratar, por não saber se existiria uma acusação.











