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Estudo sobre cheias com resultados preliminares em junho

Seabra Santos, antigo reitor da UC, é líder do grupo de especialistas que estuda a razão de ser das cheias do Mondego. Conclusões em outubro

Um grupo de especialistas da Universidade de Coimbra (UC) apresenta no início de junho as conclusões preliminares de um estudo sobre a razão das cheias do Mondego e as suas consequências. A equipa é liderada pelo antigo reitor Seabra Santos, que, apesar de não querer antecipar cenários, garantiu à Lusa que o sistema hidráulico do Mondego, construído a partir da década de 70, está atual e apenas precisa de manutenção.
«O Mondego não está a ser cuidado e um dos principais problemas é que precisa de quem cuide dele e isso não existe. A diligência que é posta num momento da desgraça devia ser posta todos os dias no Mondego. Se assim fosse, estas desgraças não aconteceriam», frisou o professor catedrático, doutorado em Oceanografia Física pela Universidade de Grenoble, em França. O especialista em engenharia de recursos hídricos, hidráulica e ambiente lembrou que os diques do Mondego foram construídos para aguentar 2.000 m3 de água por segundo, mas ruíram três vezes nos últimos 25 anos em cheias que se aproximam ou pouco ultrapassam aquele valor.

Perante esta situação, Seabra Santos considerou «sintomático de que alguma coisa não está, de facto, a funcionar», destacando a última cheia registada em fevereiro, o que o leva a apontar como fatores principais a falta de manutenção e de uma estrutura local e dedicada que se ocupe do problema todos os dias.
«Com 10 milhões de euros por ano, evitávamos ter que lá pôr de 10 em 10 anos uma importância muito superior a 100 ou 200 milhões», sublinhou, salientando que o Mondego entre Coimbra e a Figueira da Foz corre num leito artificial, construído no final do século XIX, e que deve ser tratado como uma obra de engenharia. Para o especialista, um dos principais problemas é «continuarem a pensar que o rio Mondego é um rio natural e que deve ser tratado como um rio natural, quando é uma obra de engenharia e deve ser tratado e mantido como tal».

«Não podemos deixar continuar a fazer crescer árvores e vegetação em diques de aterro que foram construídos daquela maneira, com camadas de argila impermeável, para evitar que a água passe», referiu. O crescimento de árvores de grande porte e de todo o tipo de espécies no leito central e leitos periféricos e em todas as valas do baixo Mondego significa que «nada daquilo é tratado e mantido, pelo que não se pode dizer que a obra não funciona, porque simplesmente não é cuidada».
O assoreamento do rio é outra das preocupações. Seabra Santos preconiza dragagens regulares entre a Portela e a Ponte Açude, cujo leito está «a assorear a uma velocidade de aproximadamente 70 mil metros cúbicos por ano».
«Tenha-se consciência de que o leito do rio terá subido qualquer coisa como 15 metros, desde o século XIV até à atualidade», sustentou o académico, salientando que «retirar um metro de areia desta zona do rio significa baixar um metro da próxima cheia».

Segundo Seabra Santos, a jusante da Ponte Açude existe um problema inverso - a areia está a ser retida pela Ponte Açude e o rio está a sofrer uma erosão, que origina «escavações [no leito] que não deviam existir».
«É provável (...) que a nossa conclusão seja propor dragagem mais frequente do rio na em Coimbra e reposição desses dragados a jusante do açude, em zonas que têm que ser avaliadas para evitar as erosões que estão a acontecer», disse.
O grupo de trabalho integra os académicos Alfeu Sá Marques, Cidália Fonte, Isabel Pedroso de Lima, Nuno Simões, Paulo da Venda, Ricardo Mendes e Rita Fernandes de Carvalho. As conclusões serão apresentadas em outubro.

Maio 8, 2026 . 08:00

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