
Região de Coimbra concluiu translocação de lampreias
A Região Metropolitana de Coimbra concluiu no início da semana a segunda e última translocação de lampreia para o Mondego no presente ano, com mais 32 exemplares libertados no rio, no Louredo Natura Parque, em Vila Nova de Poiares.
Presente na ação, que contou com a coordenação da Universidade de Évora e colaboração da empresa de pesca Irmãos Norinho, o vice-presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, Ricardo Cruz, resumiu o processo de translocação, iniciado em 2025 com apoio de 100 mil euros do programa europeu DALIA. Nas quatro ações realizadas, duas em 2025 e duas este ano, foram translocadas 120 lampreias marinhas para locais selecionados.
Num agradecimento às entidades envolvidas, em que se incluem ainda a GNR, ICNF e cinco municípios (Figueira da Foz, Montemor, Coimbra, Poiares e Penacova), o também presidente da Câmara de Tábua assinalou a componente pedagógica, com convites a escolas e a crianças, e a importância da preservação da espécie e dos seus habitats naturais, antes de se debruçar sobre a componente mais económica associada à lampreia. «É um produto de excelência para a região», observou, referindo-se à gastronomia e ao turismo. Concluído o projeto Life4Lamprey, a CIM pondera novas candidaturas para que o processo seja contínuo, adiantou o responsável.
A população de lampreia no Mondego tem vindo a diminuir nos últimos anos por várias razões, já identificadas, como alterações climáticas, sobretudo secas, obstáculos naturais e construídos, intervenções no rio, mais predadores marítimos e pesca furtiva.
Com a translocação para montante da lampreia apanhada na Figueira e em Montemor, a Região de Coimbra procura melhorar as condições ecológicas do ecossistema, através de trabalho contínuo, sustentado por acompanhamento técnico e científico.
A lampreia nasce no rio, fica em forma larvar durante cinco ou seis anos, dirige-se depois para o mar e regressa adulta, para desova, podendo, cada fêmea, produzir até 100 mil ovos. Com a translocação para zonas “santuário” procura-se criar condições, que serão monitorizadas, para desenvolvimento da fase lavar, período em que são emitidos sinais orientadores para as lampreias marinhas adultas.









