
Benfeita faz a festa pela Paz e toca o sino 1620 vezes
A Festa da Paz regressa à aldeia do xisto da Benfeita onde, a partir das 14h30 de quinta-feira, o sino da torre começa a tocar. E serão 1620 badaladas que se vão ouvir, tantas quantos os dias que durou a segunda Guerra Mundial, num ritual que se repete todos os anos. A festa, que se prolonga até domingo, é, assim, um momento que cruza memória, história e cultura, este ano com um “aditivo” especial, tendo em conta que a edição vai ser marcada pela candidatura da Torre da Paz a Monumento de Interesse Municipal (MIM).
O ritual das badaladas, garante a Câmara de Arganil, «não falhou uma única vez em 81 anos». A origem é transmitida pela memória local: a 7 de maio de 1945, um telefonema anunciou à aldeia o fim do conflito e o sino da então recém-inaugurada torre sineira tocou espontaneamente. Deste então, o gesto foi repetido ano após ano pela comunidade.
Esta singularidade que se repete anualmente deu o mote para a Festa da Paz, que regressa para mais uma edição. «Depois do sucesso do ano passado, esta nova edição confirma o nosso compromisso de consolidar a Festa da Paz como uma referência cultural e identitária do concelho de Arganil», refere o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, frisando que a festa «ao mesmo tempo, valoriza a singularidade da Benfeita».
Construída em 1945 por iniciativa de Mário Mathias, jurista natural de Benfeita, a Torre da Paz tornou-se ao longo de oito décadas o suporte físico de um ritual coletivo sem paralelo no país. A candidatura a MIM procura, assim, reconhecer formalmente o valor patrimonial, simbólico e identitário desta estrutura para a comunidade.
O programa arranca com as Badaladas da Paz, a partir das 14h30 de quinta-feira. Meia hora depois começa a apresentação da candidatura da Torre da Paz a MIM, seguida da visita à exposição “Memória e Totalitarismo na Europa”, do Instituto Mais Liberdade.
No sábado, dia 9, a partir das 15h00 realiza-se um percurso pela aldeia com declamação de poemas pelo grupo Triju, seguida, uma hora depois, da atividade artística “1620 Fios de Paz”, concerto pelo Grupo Coral 7 de Setembro e lanche comunitário.
No dia 10 de maio, domingo, pelas 11h00 é apresentado o livro “Turismo Literário”, de Sílvia Quinteira. Pelas 12h30 a Confraria do Bucho de Arganil apresenta o bucho da Benfeita, a que se segue o almoço comunitário com o chef Flávio Silva. Para as 15h00 está reservada a oficina criativa “Pombas da Paz”, a anteceder o fim dos festejos, que acontece com o concerto pelo Grupo Prestige, na Igreja Matriz de Benfeita.
«Enquanto houver uma comunidade disposta a tocar este sino 1620 vezes, a paz nunca será esquecida. A Benfeita mostra ao mundo que mesmo uma pequena aldeia pode guardar uma grande lição de humanidade», refere Luís Paulo Costa, certo de que esta festa é um convite à reflexão sobre a fragilidade da paz e a necessidade da sua construção permanente.
A Festa da Paz é organizada pelo Município de Arganil e Junta de Freguesia de Benfeita











