Areaclientedc
Última Hora
Pub Dc Aecoimbra 20260528
Pub Dc Rfm Somnii 20260527
Legua Dc
Pub

Voluntariado associativo: o outro lado da peregrinação gera laços

Associação da Arrifana é uma das muitas pelo país que se prepara para receber os peregrinos de Fátima e com eles estabelecer relações que vão além do apoio físico

Os caminhos de Fátima começam a estar pintados com a cor dos coletes que identificam quem vai em fé e devoção, e à medida que se aproxima o 13 de maio, a maior peregrinação anual ao Santuário, os caminhos ficam mais e mais preenchidos. São milhares de pessoas que, movidos por promessa ou simples vontade, se fazem à estrada. São dias de peregrinação que se fazem num, dois, três ou mais dias seguidos, conforme o ponto de partida. Nesta jornada, os peregrinos recebem apoio, prestado tantas vezes por quem dá sem esperar receber, neste que é o outro lado da peregrinação, feito por milhares de voluntários que, com apoio de enfermagem, comida ou simples palavras de incentivo, ajudam quem segue pelos caminhos da fé, acabando por estabelecer laços com quem vai na caminhada.

Na Associação Desportiva, Recreativa e Social da Arrifana, no concelho de Condeixa-a-Nova, tratam-se as bolhas dos pés, fazem-se massagens, distribuem-se bifanas. «Os primeiros cuidados que prestamos é nos pés, por isso disponibilizamos serviços de enfermagem, depois as pessoas acabam, por conviver», conta Adriana Miranda, presidente da associação que, por estes dias, se prepara para receber centenas de peregrinos de Fátima.

Em dois fins de semana de peregrinação – de 30 de abril a 2 de maio e de 7 a 10 de maio - a associação de Arrifana conta receber cerca de 700 peregrinos. E esta é apenas uma das tantas paragens que existem ao longo do caminho. Desde janeiro que Adriana Miranda está a receber inscrições e são sobretudo, conta, peregrinos do norte, uma grande fatia dos quais de Penafiel e Frazão, de onde são oriundos dois grandes grupos, com mais de uma centena de pessoas cada, que fazem habitualmente a sua paragem em Arrifana.

A recebê-los está uma equipa de uma dezena de voluntários da associação, sócios, amigos, conhecidos. «São pessoas que pertencem à população, é o palavra puxa palavra, quem quiser pode ajudar», diz, admitindo que mais mãos são desejáveis para dar este apoio que é importante. «A ajuda é sempre bem vinda, agradecemos mesmo. Temos uma tenda só para cuidados de enfermagem e são enfermeiros que se oferecem para dar apoio», conta a dirigente.

Além da tenda para os cuidados básicos de enfermagem, a associação disponibiliza um edifício para pernoita com capacidade para albergar 200 pessoas no primeiro piso e 150 pessoas no rés-do-chão. «Os grupos são cada vez maiores», comenta, a propósito das dormidas. Há ainda balneários, para a higiene dos peregrinos, e uma cozinha no primeiro piso, para quem queira nela fazer as suas refeições. Da parte da associação, há uma zona de bar, onde os peregrinos encontram à venda caldo verde, bifanas, tostas mistas e fruta. «Já é do tempo do meu avô», recorda Adriana Miranda, contando que desde miúda se lembra de participar nesta jornada de voluntariado e, já na vida adulta, chegou a vir de Lisboa de propósito para participar.

Aos cuidados prestados junta-se a animação que os voluntários fazem questão de oferecer, seja com uma simples música ambiente, seja mesmo com a atuação de grupos de música tradicional. É que, no final de um dia de muitos quilómetros de estrada, sabe bem descansar, mas também «confraternizar, ficar em convívio».

Tal como Adriana, os voluntários vão-se mantendo ano após ano e neste propósito de ajudar quem peregrina criam-se laços porque também os peregrinos se vão mantendo fiéis ao ponto de paragem. «Há laços, há gestos que ficam», conta, recordando alguns episódios que lhe ficaram na memória, como o dia em que recebeu uma manta para a sua filha bebé, enviada por uma peregrina que quando recebeu assistência percebeu que Adriana estava grávida, ou a visita surpresa que já recebeu de um grupo habitual de peregrinos no seu local de trabalho.

«Dá muito trabalho, mas temos prazer em fazê-lo», evidencia a voluntária.

Abril 28, 2026 . 10:31

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
95 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right