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“Luta pela unidade é prioridade da Igreja Católica nos próximos anos”

Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra e novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa admite que há visões muito distintas dentro da Igreja

O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) admite que a Igreja Católica terá como foco manter a unidade, perante os riscos de cismas por parte de grupos conservadores e progressistas, opositores ao longo do processo sinodal.

Em entrevista à Lusa após ser eleito presidente da CEP no dia 14, Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra, admitiu que é «muito difícil constituir a unidade» numa Igreja em que várias forças internas se opõem, uns exigindo o regresso dos divorciados, o fim do celibato dos padres, a ordenação das mulheres ou casamentos homossexuais, e outros o modelo do pré-Concílio Vaticano II, com missas em latim e uma visão muito restritiva das normas morais da bíblia.

Para tentar fazer face a esta luta interna e no seguimento daquilo que a Igreja Católica alemã já estava a fazer, o Papa Francisco aprovou um processo sinodal para auscultar todas as tendências a partir das bases, cabendo depois aos episcopados de cada país fazer a síntese, até que haja uma decisão do líder supremo do catolicismo sobre o que mudar.

Nalguns casos, como a ordenação das mulheres ou do celibato dos padres, foram nomeadas comissões para investigar se, no início do cristianismo, havia algumas dessas práticas, já que existem registos de sacerdotes casados e de mulheres indicadas por São Paulo para liderarem comunidades eclesiais.

Contudo, «as comissões depois chegaram a conclusões que não são de todo conclusivas», admitiu o bispo de Coimbra. Agora é o tempo das decisões do Papa e «uns ficam mais felizes e outros mais desgostosos, porque não vai ao encontro daquilo que esperavam».

Mudança de sexo

O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa saudou a revogação da lei de identidade de género e disse esperar que o Governo abra de novo o debate sobre o modelo de ensino, que inclua contratos de associação. Virgílio Antunes considera que não seria «justo permitir que pessoas menores possam tomar decisão de mudança sem estarem previstas determinadas condições».

Abusos na igreja

Na mesma entrevista, Virgílio Antunes destacou a seriedade que a Igreja colocou no processo de identificação dos casos de abusos, considerando que foi uma aprendizagem da instituição, com a aprovação de mecanismos internos de controlo, formação, entrega de processos ao Ministério Público e apoio psicológico e compensações financeiras às vítimas, independentemente de ações individuais. O Bispo de Coimbra espera que o modo como a Igreja Católica lidou com os abusos seja um exemplo para outras instituições em Portugal. As vítimas de abuso sexual na Igreja Católica vão receber entre 9 mil e 45 mil euros e já foram aprovados 57 pedidos, faltando definir montantes para nove casos, perfazendo, até ao momento, o valor de 1.609,650 euros.

Polémica com Trump

O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa considerou ainda que a polémica entre o Presidente dos EUA e o Papa Leão XIV foi «inútil e desnecessária» para todas as partes. «Penso que foi uma nova polémica inútil e desnecessária, que não deveria ter existido porque não foi bom, não foi boa para ninguém, nem para os Estados Unidos, nem para a Igreja, nem para a realidade que se está a viver», afirmou, Virgílio Antunes.

Abril 27, 2026 . 08:35

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