
Intervenção no Vale do Pranto adiada para 2027
A paciência esgotou-se no Vale do Pranto. O que deveria ser o início da solução para um problema crónico transformou-se numa promessa adiada, com os agricultores a denunciarem a inoperância do sistema de comportas da Maria da Mata, colapsado há quase seis anos. De acordo com um comunicado emitido pela Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) e pela Junta de Freguesia do Alqueidão, as obras de recuperação daquela infraestrutura deviam ter começado durante este mês, no entanto, foram adiadas para 2027 pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
«É inadmissível o que se passa, andam a brincar com os agricultores do Vale do Pranto», lê-se no documento enviado à comunicação social, onde os signatários afirmam desconhecer a razão para esta intervenção ter sido protelada. E explicam o motivo do seu desespero: «Neste momento e com as cheias que se registaram, as águas dos campos do Vale do Pranto ainda têm água por escoar porque as comportas da Maria da Mata não estão a funcionar e as do Alvo não conseguem dar vazão a tanta água, o que atrasa o arranque da campanha».
Além disso, a ADACO e a Junta do Alqueidão voltam a recordar que as comportas do Alvo, situadas uns quilómetros mais a sul, «começam a apresentar indícios de possível colapso», o que tem permitido a entrada de água salgada nos campos e, por conseguinte, danificado a cultura do arroz naquela zona.
Apesar do anúncio da APA no início de 2024 para um projeto de reabilitação e da aprovação de verbas superiores a um milhão de euros, as obras continuam no papel. Os agricultores mantêm assim a exigência de «reparação imediata», apelando agora à intervenção do Governo para evitar o colapso definitivo da produção no Vale do Pranto.
«No dia 1 de abril de 2026 foi enviada uma exposição em nome da ADACO e da Junta de Freguesia do Alqueidão ao Presidente da República, ministra do Ambiente, ministro da Agricultura e presidente da Comissão Parlamentar da Agricultura da Assembleia da República, alertando para a situação e a necessidade de tomadas medidas rápidas para a resolução do problema. Até agora ainda não recebemos resposta de nenhum dos órgãos de soberania. Mais importante que nos responderem, o que os agricultores precisam urgentemente, é que quem de direito tome medidas», asseveram.
O Diário de Coimbra tentou obter mais esclarecimentos sobre o assunto junto da APA, contudo, não obteve qualquer resposta até ao fecho desta edição.











