
Podentes rende-se à fotografia numa viagem pela história
Carlos Relvas é o primeiro protagonista das Jornadas de Valorização do Património Cultural, que hoje começam em Podentes, concelho de Penela. Trata-se de um lavrador da Golegã (1838-1894), pioneiro da fotografia em Portugal. Junta-se-lhe Vergílio Correia (1888-1944), o arqueólogo que projetou as Ruínas de Conímbriga, também ele um apaixonado pelas câmaras. Com uma visão mais contemporânea estão Arlindo de Almeida Santos, de Coimbra, e Francisco Pedro, de Podentes. Um fim de semana centrado na fotografia que resulta da vontade de fazer “coisas” diferentes, expressa pela associação @euamopodentes, em parceria com a Associação Ecomuseu, de apoio à candidatura de Conimbriga a património da Unesco. Um evento que inclui exposições, palestras, concertos e gastronomia.
O programa começa pelas 10h00, com uma breve atuação do violinista Manuel Rocha. Alexandre Ramires, talvez o maior conhecedor da história da fotografia em Portugal, é o primeiro convidado, precisamente para falar de Carlos Relvas, que tem uma ligação a Podentes, uma vez que casou com a filha do 1.º conde de Podentes. Segue-se Arlindo de Almeida Santos, que vai falar sobre a paixão pela fotografia que partilhou com Carlos Relvas e com Vergílio Correia.
A manhã termina com uma visita comentada à Exposição “Vergílio Correia – Fotografia, ciência e património”, tarefa assumida pelo arqueólogo Miguel Pessoa, da Associação Ecomuseu, responsável pela recuperação das imagens recolhidas pelo investigador, há 100 anos. Um «registo de grande honestidade», que retrata os monumentos, mas também as pessoas, os ofícios, o quotidiano, destaca Miguel Pessoa.
A exposição «resulta da generosidade da família de Vergílio Correia», que durante 100 anos manteve a caixa com as chapas de vidro guardadas, até que, a pedido da Associação Ecomuseu, passaram para a sua tutela. «São mais de 900 imagens», refere Miguel Pessoa, que recorda que a associação assumiu a incumbência de «organizar todo este espólio», que vai integrar o «futuro Arquivo Histórico de Condeixa». A mostra, que já esteve patente em Condeixa, Torre do Tombo, Conimbriga e noutros pontos do país, pode ser apreciada hoje e amanhã em Podentes, onde também se encontra uma exposição de Francisco Pedro, que retrata a matança do porco em Podentes.
O programa inclui, à tarde, uma visita comentada a Podentes, por Mário Duarte, técnico superior do município de Penela. No final há concerto, com o grupo “Os Refrões”.
O programa continua amanhã, com uma excursão à Golegã, para visitar o centro histórico e a Casa-Estúdio de Carlos Relvas. A tarde é em Alpiarça, com uma visita à Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça, antiga casa de José Relvas.











