
Mostra relembra passado para não se cair nos mesmos erros no futuro
A Sala 17 de Abril do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra - assim chamada por ter sido o local onde Alberto Martins pediu a palavra no mesmo dia, em 1969 - encheu-se com estudantes, alumni e entidades que assistiram à inauguração de uma nova exposição.
Saudosamente nomeada “Palavras da Liberdade”, a mostra fica patente no átrio do Departamento de Matemática, com quatro expositores repletos de correspondência entre a Reitoria e Associação Académica de Coimbra (AAC) e documentação oficial, relativos à Crise Académica de 1969.
Com a ausência de Alberto Martins da cerimónia, José Machado, atual presidente da AAC, deixou-se «tomar pelo espírito de 69» e deixou um «alerta à sociedade para o presente». «Estão a asfixiar 1969. Não só os espancamentos e as perseguições, mas o ideal de 69, de um país tolerante, democrático e que vive em liberdade e pluralidade», indicou.
No que toca à luta atual, relembra a «democracia, liberdade, igualdade e universalidade», pilares pelos quais, ainda hoje, a académica luta, principalmente no que toca ao Ensino Superior.
Cáustico, o presidente da AAC enalteceu as ações de Alberto Martins, «personificação da liberdade», que demonstraram que «mesmo quando nos mandam calar, a Academia sabe falar», indicando que não se vergará perante «saudosistas do antigo regime», dirigindo ainda duras críticas ao partido político Chega.
Ainda antes de terminar a sua intervenção, José Machado deixou um repto a Fernando Alexandre, ministro da Educação, sublinhando que «defender os valores que diz defender» não se faz «descongelando propinas, diminuindo a importância dos estudantes», mas sim dando oportunidade para um ensino «gratuito e verdadeiramente democrático».
Em representação da reitoria, o vice-reitor João Nuno Calvão da Silva destacou a importância de não esquecer 1969 e de «manter esta memória bem viva», deixando um agradecimento a toda a AAC. «Foi nesta sala que se lançou a sementeira do início do estado democrático e o fim do regime ditatorial. Manter essa memória bem viva é uma obrigação».
Ressalvando todo o destaque da Associação Académica neste momento e relembrando a sua importância nacional, Ricardo Lino, vereador da Câmara Municipal de Coimbra, discursou durante curtos minutos, mas com grande impacto. «É impressionante ver que poucas palavras, em 1969, fizeram de Coimbra precursora de um momento histórico na conquista da democracia»
O que é que se comemora no dia 17 de abril?
O dia 17 de abril de 1969 está marcado na tradição estudantil de Coimbra e, simultaneamente, nos anais da história portuguesa como o momento em que Alberto Martins, então presidente da Associação Académica de Coimbra, pediu a palavra durante uma visita do Presidente da República, Américo Thomaz. Este é considerado um dos pontos de viragem do Regime Português que viria a cair no dia 25 de Abril de 1974.











