
Desafios da atualidade exigem transformação na Educação
Num tempo de grandes mudanças e a um ritmo acelerado, António Sampaio da Nóvoa, um dos oradores convidados da 2.ª edição da Grande Conferência Educação e Transformação, que decorreu ontem no auditório da Coimbra Business School, alertou para a necessidade de o professor ganhar uma nova centralidade na educação, assumindo-se mesmo como «a grande força do futuro».
António Sampaio da Nóvoa defendeu que, nesta urgência de transformar a educação porque os desafios são cada vez maiores e mais exigentes, «toda a sociedade se deve envolver neste processo de metamorfose», mas o professor deve ter a sua voz, a sua centralidade na renovação deste novo contrato social da educação.
Para tal, Sampaio da Nóvoa, numa intervenção que também abordou o papel das novas tecnologias, com especial incidência na Inteligência Artificial, lembrou que «nada pode substituir o professor, porque para nos tornarmos humanos, precisamos de outros humanos e para nos educarmos, precisamos de professores».
O professor, titular da cátedra Futuros da Educação, foi mais longe, referindo mesmo que «sem professores não haverá qualquer transformação de educação, e muito menos da escola pública, pois essa a todos diz respeito e todos devemos defender e proteger». Para tal, enumerou algumas medidas urgentes, como a necessidade de reforçar a «“auctoritas”» do professor, isto é, que este seja, de facto, «voz autorizada no espaço público e intensifique a sua participação nos debates e nas políticas educativas que devem, de facto, mudar». Por outro lado, «que se dê um passo firme na alteração profunda na formação de professores, tanto na inicial como na contínua».
Ao longo do dia, foram várias as intervenções, que falaram dos problemas, mas também das soluções
A par desta reflexão que o professor António Sampaio da Nóvoa propôs aos presentes, professores, alunos, pais e demais educadores, a Conferência contou ainda com outras intervenções, nomeadamente na sessão de abertura, em que Alberto Barreira, do Departamento de Saúde da Câmara Municipal de Coimbra, reiterou «a necessidade de mudar mentalidades», por forma a preparar o futuro coletivo. Para tal, «há que começar por refletir» sobre «que sentido queremos dar à escola, o que, por si só, exige estabilidade». «De resto, todos devemos estar conscientes que essa é uma responsabilidade de todos», disse. Opinião corroborada por Alexandre Gomes, presidente da Coimbra Business School e anfitrião, que falou da responsabilidade do ensino superior «em acelerar a mudança na educação». Já Maria Manuela Leitão Marques, em representação da Câmara de Coimbra deixou também um repto para reflexão: «que neste tempo de mudança, tecnológicas e culturais, a escola reforce o seu papel para esbater as desigualdades e consiga responder aos desafios do bem-estar, das competências emocionais, da literacia financeira e do combate ao discurso violento».
Ainda durante a conferência, foi dada voz aos alunos, com alguns deles a colocarem algumas questões a professores ali presentes, desde a pertinência de se continuar a «incluir nos currículos as mesmas obras de sempre», a necessidade, ou não, de decorar ou memorizar, ou ainda o que são «hábitos de leitura, num mundo tão digitalizado».
As professoras Célia Cameira e Margarida Amaral reiteraram a importância de ler os clássicos.«Decorar ou memorizar não é de todo descabido, é antes uma capacidade inata», remataram.












