
“Sinto-me completamente realizado”
Diário de Coimbra Feliz com o percurso que fez?
Hugo Seco Sim, muito feliz. Muito feliz, por ter conseguido concretizar alguns sonhos. Sabemos que muita gente corre atrás do mesmo sonho, então no futebol há mesmo muitas pessoas a lutar pelo mesmo e há uma grande parte que não consegue atingir esse sonho, por variados motivos. Sinto-me completamente realizado. Estes dias que naturalmente são mais complicados e emotivos pela paixão que tenho pelo futebol, mas já disse em casa foi que me sinto leve, porque não me arrependo de nada que tenha feito no futebol. Termino com a consciência tranquila porque nunca passei por cima de ninguém e nunca prejudiquei nenhum companheiro de equipa.
Porquê este momento de anunciar agora a despedida dos relvados aos 37 anos?
Principalmente pelo respeito aos meus colegas. Havia a possibilidade de continuar a jogar. Fui abordado pela Direção do Marialvas e pela equipa técnica para jogar mais um ano. As coisas também me correram bem, mas depois de ponderar tudo muito bem, decidi que esta seria a decisão mais correta e mais sensata. Devido a um problema que já tenho há cerca de três épocas a esta parte, nem sempre é possível estar a 100 % nos treinos. Muitas vezes tenho de fazer uma gestão um bocadinho da minha semana de treinos. E penso que não é correto com os meus companheiros de equipa e principalmente com os meus companheiros de posição, ter de fazer esta gestão e chegar ao fim de semana e jogar quando eles estão a 100% nos treinos. Terminar agora é uma questão de coerência e de sinceridade e acho que foi a melhor decisão.
Isso é educação desportiva?
Penso que sim. Ponho-me um bocadinho no lugar dos meus colegas. Sabemos que esta gestão faz parte do futebol. Muitas vezes há lesões, há problemas físicos em que quem está bem tem que jogar e outros têm de gerir para jogar. Concordo plenamente com isso. Eu sempre tentei treinar. Mesmo quando tive algum problema físico, só parava mesmo quando era obrigado a parar, porque sabia que poderia agravar a lesão. É um problema de desgaste e não é uma questão de cansaço, acho que não fazia sentido estar a gerir e ter os meus companheiros a dar o máximo diariamente, a terem capacidade e potencial para jogar e eu estar a fazer uma gestão para depois chegar ao fim de semana e jogar. Claro que depois seria sempre uma questão de opção do treinador, mas estou bem com a decisão que tomei.
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