
Queimas autorizadas provocam muitos incêndios
Uma queimada descontrolada terá estado na origem de um incêndio rural recentemente registado, num cenário que se repete com frequência em várias zonas do país e que continua a preocupar as autoridades devido ao risco para áreas florestais e agrícolas.
Depois de um inverno marcado por chuva intensa, vento forte e fenómenos meteorológicos adversos, têm-se verificado várias ocorrências associadas a queimas de sobrantes agrícolas e florestais.
Em muitos casos, estas situações acabam por evoluir rapidamente para incêndios, colocando em risco habitações e zonas de floresta.
Na área de intervenção dos Bombeiros Voluntários de Condeixa, já foram registadas várias ocorrências nas últimas semanas.
A rápida intervenção dos operacionais tem evitado consequências mais graves, embora algumas situações tenham ficado perigosamente próximas de áreas habitacionais e florestais.
Só no último fim de semana foram notícia duas situações que obrigaram à intervenção dos bombeiros, precisamente porque a situação se descontrolou.
O comandante dos Bombeiros Voluntários de Condeixa, Tiago Picão, alerta para a importância da realização de queimadas não depender apenas da classificação diária do risco de incêndio, sublinhando que as condições locais podem alterar significativamente o perigo.
«Embora o risco de incêndio esteja relativamente baixo, há outros fatores que devem ser considerados, nomeadamente o vento intenso, que pode transformar rapidamente uma queima em incêndio», explicou.
O comandante destacou ainda que a secura dos combustíveis finos, como ervas e mato seco, contribui para a propagação rápida das chamas.
«O país não é uniforme. Existem zonas onde os combustíveis secam mais depressa e onde o vento é mais forte, o que aumenta bastante o risco», acrescentou Tiago Picão.
Embora muitas vezes se fale de queima e queimada como se fossem ambas o mesmo, o comandante da corporação de Condeixa realçou que a queima se trata da eliminação de pequenos sobrantes agrícolas ou florestais, em pequenas quantidades e sob controlo, enquanto a queimada é a utilização de fogo para limpeza de grandes áreas ou renovação de pastagens, que deve ser acompanhada por equipas credenciadas, nomeadamente equipas de bombeiros.
Segundo o comandante, a vigilância constante é fundamental para evitar acidentes.
«É essencial vigiar o fogo do início ao fim, até ficar totalmente apagado e em brasas extintas. Se o rescaldo não for bem feito, qualquer vento pode reativar o fogo e provocar um incêndio», alertou.
Apesar de o risco geral poder ser considerado baixo, existem condições locais que aumentam o perigo, como o vento e a vegetação seca.
Em alguns casos recentes, apenas a rápida intervenção dos bombeiros evitou que o fogo chegasse a zonas florestais ou habitacionais. Por isso, as autoridades recomendam a adoção de medidas de segurança como a criação de faixas de proteção, o uso de água ou terra para extinguir o fogo e o contacto com a Proteção Civil antes de realizar qualquer queima.
E, em caso de emergência, deve ser acionado o 112 de imediato.
Não se deve tentar apagar ou esperar que a situação melhore, antes chamar o socorro. Até porque, realçou Tiago Picão, provocar um incêndio, mesmo sem intenção, constitui crime.

Intervenções rápidas têm evitado males maiores
O calor dos últimos dias e as fortes rajadas de vento foram alguns dos “ingredientes” necessários para as situações que ocorreram no concelho de Condeixa.
Os Bombeiros Voluntários foram chamados a intervir nas diversas situações, e de acordo com o comandante, os facto de se ter agido rapidamente evitou, até ao momento, males maiores. Pequenas áreas ardidas mas que, num dos casos, ficou perto de entrar no povoamento florestal.
O facto de se ter autorização para realizar a queima não significa que não haja risco da situação entrar em descontrolo.












