
"Só nos lembramos da energia quando ela falha"
Num momento em que a energia é entendida como «um dos grandes temas complexos» da atualidade, a Universidade de Coimbra (UC) e a Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) celebram um protocolo de colaboração, que prevê partilha de conhecimentos, capacitação e a possibilidade de estudantes universitários realizarem estágios naquela entidade.
«É um momento, particularmente, feliz porque aproxima as duas realidades que têm muito a ganhar uma com a outra», sublinhou a vice-reitora da UC para o Planeamento, Sustentabilidade e Qualidade.
«Por um lado, a ENSE, com a sua missão no domínio da segurança de abastecimento, das reservas estratégicas e do acompanhamento do setor energético. Por outro, a Universidade de Coimbra, com aquilo que é a sua vocação própria: produzir conhecimento, formar pessoas, investigar, inovar e ajudar a pensar soluções para problemas complexos», salientou Patrícia Pereira da Silva, na cerimónia na Sala do Senado, destacando que a energia «está no centro da economia, da vida das instituições, da competitividade das empresas, da sustentabilidade ambiental e, muito simplesmente, do quotidiano de todos nós».
A questão, continuou, é que «só nos lembramos verdadeiramente da energia quando ela falha — ou quando pesa mais do que gostaríamos na vida das famílias e das organizações», continuou, ao recordar também o «contexto particularmente exigente» que se vive, primeiro, com a guerra da Ucrânia e, agora, também com o conflito no Médio Oriente.
«O setor energético tornou--se, de forma muito clara, uma questão de segurança, resiliência, autonomia estratégica e estabilidade social. E isso torna esta parceria ainda mais oportuna», acrescentou a vice-reitora, chamando a atenção para o facto de Portugal continuar a ser «vulnerável a perturbações externas».
«Isso significa que precisamos, ao mesmo tempo, de ambição na transição e de prudência na segurança do abastecimento», salientou, ao destacar o papel da ENSE nesta missão.
«Porque assegurar reservas estratégicas, acompanhar o mercado, preparar respostas para cenários de crise e contribuir para a estabilidade do setor energético é uma função absolutamente crítica. E é uma função que se torna ainda mais visível em períodos de incerteza internacional, de tensão geopolítica ou de volatilidade nos mercados. Por isso, esta colaboração com a Universidade de Coimbra faz todo o sentido», defende, salientando que «os desafios da energia não se resolvem apenas com infraestruturas, regulação, tecnologia», mas também «com conhecimento, capacidade analítica, formação qualificada, investigação aplicada e diálogo entre instituições».
«E é exatamente isso que a Universidade de Coimbra pode trazer para esta parceria», frisou Patrícia Pereira da Silva.
«Numa altura em que o setor energético exige cada vez mais conhecimento especializado, visão interdisciplinar e capacidade de resposta, esta aproximação entre a Universidade de Coimbra e a ENSE é uma escolha inteligente e oportuna», que vai «gerar trabalho, mobilizar pessoas, criar oportunidades e responder a desafios reais».
Necessidade crescente de inovar num setor de múltiplas utilizações
O presidente do Conselho de Administração da ENSE, Alexandre Fernandes, destacou a «necessidade» crescente de inovar num setor, cuja utilização é diversificada. «A UC tem todo um trabalho na área da investigação científica, na área do desenvolvimento das novas tecnologias e de desafiar verdades absolutas», disse.
O reitor Amílcar Falcão frisou o «peso» do setor, recordando os incómodos causados pelo apagão.











