
Urnas fecharam na Hungria com participação histórica de mais de 77,8%
As urnas fecharam hoje na Hungria, com uma participação eleitoral que atingiu um máximo histórico nas eleições legislativas, que se prevê superior a 77,8%, segundo os dados oficiais mais recentes.
Os eleitores foram chamados a escolher entre conceder um quinto mandato consecutivo ao primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán ou optar por uma mudança de liderança com o conservador pró-europeu Peter Magyar.
As urnas fecharam às 19:00 locais (18:00 em Lisboa), com uma participação preliminar de 77,8% às 18:30, superando significativamente o anterior recorde de 70,5% estabelecido nas eleições parlamentares de 2002, de acordo com a comissão eleitoral.
Registaram-se longas filas em frente a muitas mesas de voto, e o aumento da participação foi mais pronunciado nas cidades de média dimensão e entre os eleitores mais jovens, que são mais propensos a apoiar Peter Magyar, segundo os analistas, relatou a agência France-Presse (AFP).
Os primeiros resultados significativos são esperados após as 22:00 locais, com as sondagens a indicarem uma clara vantagem para o candidato da oposição, o conservador Peter Magyar.
No entanto, o sistema eleitoral húngaro não descarta a possibilidade de Orbán conquistar a maioria dos lugares mesmo que receba menos votos populares.
Uma sondagem realizada pelo Centro de Investigação 21 sugere que o partido Tisza, de Peter Magyar, conquistará 55% dos votos, em comparação com 38% para o partido Fidesz, de Viktor Orban.
As sondagens de institutos independentes preveem uma vitória esmagadora para o estreante Peter Magyar, que em dois anos conseguiu construir um movimento de oposição capaz de desafiar o primeiro-ministro nacionalista, cuja popularidade diminuiu em paralelo com o crescimento do país, classificado como o mais corrupto da União Europeia (UE) pela organização não-governamental Transparência Internacional.
Depois de ter votado de manhã cedo em Budapeste, Peter Magyar, de 45 anos, apelou aos húngaros para se mobilizarem para esta "eleição decisiva".
"Estamos a escolher entre o Leste e o Oeste, a propaganda e o debate público honesto, a corrupção e a integridade na vida pública", disse o antigo parceiro de partido de Orbán, acrescentando mais tarde: "Esta noite, o pesadelo que vivemos nos últimos anos vai chegar ao fim".
Entretanto, as instituições próximas do Governo preveem uma vitória para a coligação Fidesz-KDNP de Viktor Orbán, que, em 16 anos de poder incontestado, moldou o sistema eleitoral a seu favor.
“Estou aqui para ganhar”, declarou o atual primeiro-ministro, após votar também em Budapeste, destacando as suas amizades pelo mundo “dos Estados Unidos à China, passando pela Rússia e pelo mundo turco”, e lançando mais uma alfinetada a Bruxelas, que acusa de querer privar a Hungria da “sua soberania”.
Orbán foi recebido à saída da assembleia de voto por alguns manifestantes, incluindo Eniko Toth, de 32 anos, que segurava uma enorme passagem aérea falsa: “Imprimimos um cartão de embarque para o primeiro-ministro Viktor Orbán para Moscovo. Se perder esta noite, poderá ir para Moscovo”, disse.
Maria Toth, dona de casa de 31 anos, está preocupada com o futuro dos filhos, caso Viktor Orbán perca. “Sinto que a Hungria está cercada por todos os lados e que grandes potências como Bruxelas estão a tentar ditar o nosso modo de vida”, considerou, citada pela AFP.
Orbán, de 62 anos, recebeu um forte apoio do Presidente dos EUA, Donald Trump. O seu vice-presidente, JD Vance, esteve na semana passada em Budapeste para o elogiar e criticar a interferência dos “burocratas de Bruxelas”.
O próprio Trump enviou inúmeras mensagens na sexta-feira, prometendo colocar o “poder económico” dos Estados Unidos ao serviço do seu “amigo” anti-imigração. O líder húngaro, que apresentou o seu país de 9,5 milhões de habitantes como um modelo de democracia iliberal, é considerado um exemplo por muitos movimentos de extrema-direita em todo o mundo.
O governante húngaro é também próximo do Presidente russo, Vladimir Putin, e tem criticado regularmente as sanções da UE contra a Rússia desde que invadiu a Ucrânia, em 2022.











