
“Empoderar os mais fracos” é missão da Bienal Anozero até dia 5 de julho
A Bienal Anozero arrancou ontem com a performance “Libertas - Da condição de pessoa livre”, da autoria do artista Vasco Araújo, que reuniu duas centenas de pessoas a interpretar “Va, pensiero”, de Giuseppe Verdi, percorrendo as ruas da cidade, desde a Igreja Santa Cruz até ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, onde foi inaugurada oficialmente a exposição “Segurar, dar, receber”.

A inauguração oficial contou com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Alberto Fernando da Silva Santos, que congratulou as inúmeras atividades desta edição da Bienal Anozero, reconhecendo o esforço e finalidade comum dos organizadores, onde a arte contemporânea tem o poder de levantar questões, revelar as fraturas e feridas do mundo global e ajudar nos momentos da vida coletiva.
Carlos Antunes, diretor da Bienal Anozero e do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) revelou ao nosso jornal que a principal missão desta edição da Bienal Anozero é «empoderar os mais fracos».
O que, para o responsável da iniciativa, «a arte faz de maneira exemplar» e a arquitetura «se calhar ainda mais».
«O mundo foi-se verticalizando pelas estruturas de poder e os mais poderosos insistem no reforço desta ideia de um mundo verticalizado. O que os artistas e todos temos de fazer é combater esta visão única do mundo e apostar num mundo mais horizontalizado, onde todos estamos ao mesmo nível», explicou o diretor da Bienal Anozero.
“Segurar, dar, receber”, que atraiu um público de diversas partes do mundo, partiu de um elemento chave da construção de uma sociedade, que é a reciprocidade, permitindo assim a construção de um futuro.
No interior da exposição, as paredes são escuras, vêm-se as sombras das pessoas entre os pequenos feixes de luz e conseguem-se ouvir os “lamentos” e as “feridas” do mundo com vozes que entoam nos ouvidos do público que por ali passa nos corredores do Mosteiro.
Entre milhares de fotografias, livros e pequenos filmes, contam-se histórias que espelham o estado e a tensão de um mundo de «amargura, sofrimento, tristeza».
Um mundo que, de acordo com o diretor da Bienal, «não se pode fazer de conta de que não existe».
Esta edição da Anozero faz a ligação entre as artes plásticas e a arquitetura no mesmo projeto, onde ambas convocam questões urbanas, coletivas e da própria cidade com um único propósito: o de perseverança e criação de uma possibilidade de um território de esperança coletivo.
Carlos Antunes revelou que atualmente existe um interesse generalizado a nível internacional pela Bienal de Coimbra que é necessário “alimentar”.
«Esta Bienal ou cresce ou desaparece e ela está a crescer de uma maneira muito evidente, e é preciso que os poderes percebam isso e que estejam connosco nesta batalha e eu acho que estão», assinalou o responsável pela Bienal Anozero.
Para a vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, Margarida Mendes Silva, a iniciativa «vai para além da cidade», tendo uma «especial relevância» a nível nacional e internacional e uma forte projeção económica e turística.
A Anozero – Bienal de Coimbra é organizada conjuntamente pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e pela Universidade de Coimbra (UC).
Bienal Anozero aliada em projeto com a Manifesta em 2028
Carlos Antunes, diretor da Bienal Anozero e do Centro de Artes Plásticas de Coimbra, revelou na inauguração do evento que está a ser construído um projeto colaborativo com a Bienal Manifesta, bienal europeia nómada.
«As coisas estão a correr muito bem, inclusive está cá uma equipa da Manifesta, o que nos deixou muito satisfeitos e o projeto da Manifesta tem essa particularidade, ele é construído coletivamente, é muito discutido com a cidade, com os agentes locais e é isso que vamos começar a fazer imediatamente», explicou o responsável pela iniciativa.
Coimbra será a cidade que vai acolher a Manifesta em 2028.











