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Rancho levou a palco tradições e cultura de Regalheiras de Lavos

Grande auditório do CAE aplaudiu, emocionado, recriação do trabalho dos marnotos e salineiras e reviveu as tradições ancestrais de um território com história

O sal de Lavos instalou-se e “tomou” conta do CAE. Uma recriação histórica das vivências ancestrais que fazem parte da identidade de Regalheiras de Lavos. Uma viagem no tempo proporcionada pelo Rancho Folclórico “As Salineiras de Lavos”, que encantou e emocionou a assistência e também os mais de seis dezenas de dançarinos e figurantes que passaram pelo palco. No ar ficou a vontade de mais.
«Vale a pena repetir!… desde que surjam os convites!», afirma Cátia Sousa, ensaiadora do rancho, ao qual está ligada há 40 anos. Rodrigo Cruz, presidente da direção, assume que «não há previsão» para repor o espetáculo, mas realça a «aceitação muito grande» e a «alegria» que proporcionou. «Faz todo o sentido», mas ainda «nada está programado», disse.
Um «momento alto» na vida do Rancho Folclórico "As Salineiras de Lavos”, que apresentou o espetáculo “Danças de Linhas Quase Imemoriais… de música e cor mais, mais e mais…”. Uma produção que trouxe à ribalta o «legado milenar da cultura do sal», focado entre 1880 e 1910, esclarece o encenador, Tiago Pinto.
Encenador e ensaiadora foram os responsáveis por esta produção «mais complexa», que o rancho levou recentemente ao CAE, assente no desenvolvimento e na consolidação de pequenas encenações que o grupo apresentou nas muitas deslocações que, no passado, fez por essa Europa fora e, inclusive, no Brasil. «Já fazíamos pequenas encenações onde apresentávamos a cultura do sal e a nossa terra», refere Rodrigo Cruz.

Agora a “coisa” foi mais elaborada e exigente. Os ensaios, esclarece Cátia Sousa, começaram no final do ano passado, mas ganharam especial força no início do ano, uma vez que foi necessário preparar uma dezena de encenações, todas acompanhadas pelas danças correspondentes. Músicas e danças que resultam de uma recolha etnográfica, que teve um enfoque muito particular nos anos 80, diz Tiago Pinto, que recorda o trabalho feito por Dolores Clemente (sua mãe), Isabel Curado e Rosa Sanico que, junto dos habitantes mais velhos, recuperaram essas memórias e tradições. Carlos Pinto, mais conhecido por “Guirra” (pai de Tiago, falecido em 2025) também teve um papel importante na recuperação das músicas, «juntamente com amigos, familiares e outros elementos do rancho», adianta.

No finais de 2024, rancho apresentou versão do espetáculo, que aprimorou para levar ao CAE

O espetáculo foi «concebido para o grande palco do CAE», explica o encenador e Rodrigo Cruz faz notar a «recuperação» do largo da aldeia de Regalheiras, o Largo António Maria Rodrigues Pedro, com a «instalação» da fonte e do “banquinho” que a caracterizam. Ali, como na aldeia, as «pessoas conversam, lembram o passado, situações que viveram ou de que ouviram falar aos avós». Memórias ligadas à vida local e sobretudo à safra do sal, desde a preparação das marinhas à recolha e transporte para o “Trapiche” – com as salineiras a desafiarem e equilíbrio, com cestas de 50kg à cabeça a atravessar pranchas estreitas. Vivências que não esqueceram as festas e S. João, a Feira do Ano de Seiça, a faina agrícola, a arte xávega, a pesca no rio e os viveiros. Momentos diferentes, a que o rancho deu vida, com a respetiva dança, e a tecnologia revigorou, com a projeção de imagens, permitindo, no conjunto, apresentar uma cultura identitária e «um legado inspirador para as gerações futuras», diz o presidente. «Um grito contra o esquecimento», adianta Tiago Pinto.
Ricardo Cruz destaca o envolvimento de «mais de 60 pessoas», «a mais nova com 3 anos e a mais velha com 81», muitas que hoje não estão ligadas ao rancho, mas deram o seu contributo, como um indicador positivo da «resistência cultural» e da «afirmação da cultura e das tradições de Lavos», adianta Tiago Pinto. Uma experiência «fantástica» que «fortalece o grupo e o torna ainda mais orgulhoso das suas raízes e da sua história», remata Cátia Sousa.

Abril 11, 2026 . 12:30

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