
Pampilhosa é exemplo autêntico de superar “adversidades locais”
Foi a comemorar os 718 anos de uma «identidade única», que o município de Pampilhosa da Serra apresentou um conjunto de homenagens e perspetivas para o futuro. Se a presença de Luís Neves, ministro da Administração Interna, não fosse marco suficiente para mostrar a intenção de desenvolvimento para a região, o presidente da autarquia local, Jorge Custódio, não escondeu os desejos e necessidades que pretende ver resolvidos «num futuro próximo».
«Somos um povo que, geração após geração, soube transformar dificuldades em força e isolamento em caráter», começou por afirmar Jorge Custódio. O objetivo para o futuro próximo é tornar os pampilhosenses «construtores de futuro».
Estas novas decisões influenciadoras do futuro atravessam as diversas entidades locais, das quais oito foram apoiadas com cerca de 450 mil euros, divididos entre todas da forma mais útil para cada uma. «Estes apoios não são um favor, são um dever», identificou o presidente da autarquia, admitindo que o trabalho destas instituições é «insubstituível».
Para além das entidades locais, dinamizadoras de «pontos de encontro» e desenvolvimento, é necessário atentar nas dificuldades do território. Jorge Custódio aproveitou a presença de Luís Neves para apresentar alguns pontos fulcrais que precisam de solução «célere». «É necessário dar às autarquias, ao poder local, as ferramentas para combater as verdadeiras urgências», afirmou, considerando que são as autarquias que “dão a cara” sempre que há um problema a ser ultrapassado. «Os autarcas estão na linha da frente. Foi assim nos incêndios, tempestades, apagões, pandemias, em todas as situações limite», recordou.
“Territórios como a Pampilhosa da Serra não são periféricos, são o centro do futuro do nosso país, através da sua ousadia de pensar fora da caixa”
Os argumentos estenderam-se a um pedido de revisão à Lei das Finanças Locais e ao Estatuto dos Eleitos Locais, à requalificação do quartel general da GNR e ao Centro de Meios Aéreos da Pampilhosa da Serra, locais considerados de importância para a segurança do território e que se encontram degradados.
Aos pedidos realizados, Luís Neves não se “escondeu” e sublinhou a importância do «trabalho de equipa», que por vezes não acontece vindo de Lisboa. «São todas situações que necessitam de intervenção e deixo aqui assegurada que todas vão ser respondidas. O Centro de Meios Aéreos vai manter-se na Pampilhosa e o quartel vai ser requalificado», indicações que o ministro admite falharem apenas na «falta de datas», que não lhe foi possível obter a tempo da visita.
O responsável relembrou ainda a importância para o território do CIPO - Comando Integrado de Prevenção e Operações, que promete «dar uma resposta coletiva aos problemas» relativos às diversas áreas da Proteção Civil.
Luís Neves terminou a reforçar que os «territórios como a Pampilhosa da Serra não são periféricos, são o centro para o futuro do nosso país, principalmente através da sua ousadia de pensar fora da caixa».
Homenageados destacados
António Bouça, artista da Pampilhosa da Serra, foi um dos grandes homenageados na sessão, com a Medalha Municipal de Valor e Altruísmo, destacado pela sua capacidade de «escolher caminhos mais difíceis», de modo a garantir a sua «autenticidade».
Galardoada na mesma categoria esteve a Associação Sara Carreira, onde Tony Carreira, famoso cantor e pampilhosense, recebeu o prémio. A emoção pelo momento era visível e o artista não escondeu o seu orgulho. «De todas as pessoas da nossa família, a Sara era quem tinha um maior carinho pela Pampilhosa. Sempre foi muito bem vinda e muito bem recebida, com muito amor. A associação é uma forma de ajudar, e vai continuar a ajudar, os jovens e a memória da minha filha», disse o cantor. A associação apoia, anualmente, 10 jovens do concelho com bolsas monetárias que capacitam jovens a «apostar nos seus talentos», mesmo que venham de um «lugar onde seja difícil dar esse passo».
Céu já (não) é o limite na Pampilhosa da Serra
Para além das celebrações habituais do Feriado Municipal, Jorge Custódio, presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, aproveitou o dia para inaugurar o PBC (Pampilhosa Business Center).
«A requalificação da Casa Dr. Afonso permitiu implementar aqui o PBC», que agora se torna um impulsionador «do empreendedorismo de base territorial», numa área diferenciada e preparada para olhar o futuro. «[Vamos oferecer] suporte qualificado e condições de excelência para criar soluções inovadoras de observação e monitorização da Terra-Espaço-Terra», explicou o autarca, adiantando que o projeto pretende «aproveitar as potencialidades territoriais do município» e «reforçar a capacidade das empresas para inovar, crescer e competir».
Outro dos fatores previstos é a fixação de empresas e pessoas no território para «desenvolvimento económico e social da região». O espaço conta já com parcerias, como o Instituto Pedro Nunes (IPN), o ESA BIC (Centro de Incubação de Negócios da Agência Espacial Europeia), PASO (Observatório Espacial da Pampilhosa da Serra), entre muitos outros, afigurando-se como «um espaço com espaço para crescer».
Este projeto pretende ser uma «peça fundamental do Programa de Regeneração Urbana da Vila» e já se trabalha para novos desenvolvimentos. «[Está submetida] uma candidatura para a instalação de uma ZLT (Zona Livre Tecnológica), que permitirá testar e desenvolver soluções inovadoras, particularmente nas áreas da segurança e defesa», afirmou.
O autarca considera que se estão a criar «condições para que empresas possam nascer, crescer e fixar-se», combatendo a ideia de que a inovação «tem de estar confinada aos grandes centros urbanos».
Luís Neves, ministro da Administração Interna, considerou este passo como um «exemplo» e uma «escolha estratégica importante», que pode traçar «o futuro» do território a partir da Pampilhosa da Serra.












