
24 jovens “dão tudo em palco” com espetáculo dirigido por Benvindo
Bailarinos em formação, de norte a sul do país, tiveram em Coimbra nos últimos meses a oportunidade de participar na 4.ª edição do projeto RAMPA, uma iniciativa que pretende dar formação artística a jovens bailarinos, culminando na estreia em cima do palco do Convento São Francisco para o espetáculo “RAMPA.3 - Uma Noite com Benvindo Fonseca”, que acontece este domingo, dia 12 de abril, pelas 18h00, no âmbito do Abril Dança.
O espetáculo é um convite a «sentar, observar e sentir», realçou o coreógrafo, antigo solista do extinto Ballet Gulbenkian, após de um ensaio aberto à comunicação social. Dividido em três peças, «é um espetáculo para sentir e é um espetáculo simples. Ele é intenso, mas é simples e é um espetáculo para todos, que era essa também a intenção. Não se precisa vir cá pensar muito», salientou Benvindo Fonseca.
O primeiro bailado - Tábula Rasa - é um espetáculo de homenagem à mãe de Benvindo Fonseca, um espetáculo que leva as pessoas numa “viagem” pelas «vicissitudes, energias, encontros e desencontros de um qualquer ser humano, no decorrer da vida até ao envelhecimento». «É um bailado muito emotivo, muito duro para os bailarinos, porque é muita informação, mas eles são muito bons», elogiou, enaltecendo as capacidades dos jovens bailarinos na execução de um bailado criado inicialmente para a Companhia de Bailado Cotemporâneo.
Já “Consolation”, de Liszt, é uma homenagem ao seu pai, um bailado em pontas, «muito difícil». «O espetáculo é mesmo uma consolação, é para estar parado, absorver, pensar, sentir e depois tirar a nossa história, como quisermos». O espetáculo acaba com a peça “The pulse of Earth”, inspirado na música tradicional da China e que será apresentado pela primeira vez na Europa.
Espetáculo está dividido em três bailados distintos criados pelo coreógrafo Benvindo Fonseca
Entre os 24 intérpretes, com idades entre os 13 e os 29 anos, David Murta, de 20 anos, regressa ao projeto depois de ter participado na primeira edição do “Rampa”. «Acabou por me dar competências que até então não tinha e que me conseguiu catapultar. Depois saí da escola e tive a oportunidade de estar dois anos numa companhia», contou. Com menos experiência, Sancha Antunes, natural de Coimbra, descreve a experiência de trabalhar com Benvindo como «espetacular», enaltecendo o carinho, a atenção e o profissionalismo para com todo o grupo de jovens bailarinos.
"Coimbra merece uma companhia”
Benvindo Fonseca destacou o sentimento de «gratidão», por poder trabalhar no meio e com jovens com «muito potencial», mas lamenta que não haja mais companhias de bailado para acolher os bailarinos profissionais. «Este teatro tem as condições todas para ter uma companhia. Coimbra merece uma companhia, o país merece mais companhias», defendeu.











