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Programa diversificado inaugura Bienal de Arte Contemporânea

Anozero, nesta edição com o tema “Segurar, dar, receber”, explora “formas de troca”, abordando conceitos como generosidade, simbiose, ajuda mútua e hospitalidade.

A Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra (Anozero) é inaugurada sábado, às 17h00, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. O programa de abertura estende-se, no entanto, por vários espaços da cidade, com exposições, performances, mú­sica e visitas orientadas.

Com curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, e curadoria assistente de Daniel Madeira, a bienal parte nesta edição do tema “Segurar, dar, receber” para levar à reflexão da exposição como espaço de relação e interdependência.

De acordo com a organização, que envolve a Universidade, Câmara e Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, o tema «emerge da raiz proto-indo-europeia da palavra exposição, ghabh». Tem um «triplo significado, “segurar, dar, receber”, que está também na origem de palavras como habitat e habitação», acrescenta.

Como “dar” e “receber” são «atos partilhados, que implicam sempre uma relação entre quem dá e quem recebe», a bienal explora de que modo estas formas de troca, dar, receber, retribuir e transmitir, se manifestam na arte e na arquitetura.

«Ao abordar conceitos como generosidade, simbiose, ajuda mútua e hospitalidade, o Anozero’26 propõe uma reflexão sobre a partilha nos campos da arte e da arquitetura e, em última instância, sobre o que significa partilhar o mundo», sintetiza uma nota de divulgação da bienal.

O programa começa às 13h30, com a abertura do Círculo Sereia, com um núcleo temático em torno do genocídio em Gaza. No espaço, os vídeos de investigação da Forensic Architecture «denunciam o uso, por parte do exército israelita, das ordens de evacuação como formas de violência disfarçadas de humanitarismo, demonstrando como estes mecanismos funcionam menos como proteção do que como gestos performativos de conformidade com o direito humanitário, produzindo medo, coerção e escolhas impossíveis».
Ainda neste núcleo, acrescenta a organização, Thomas Demand apresenta «imagens construídas que abordam obliquamente a crise: uma manifestação em Telavive, anterior a 7 de outubro, contra a reforma judicial de Netanyahu, e uma imagem de melancias usadas para tráfico de droga, que se lê de forma imediata como símbolo de solidariedade palestiniana».

As fotografias de Adam Broomberg e Rafael Gonzalez, de oliveiras nos territórios ocupados da Cisjordânia, «testemunham simultaneamente a dignidade da resistência e a persistência da destruição, enquanto Taysir Batniji reúne centenas de fotografias de chaves pertencentes a habitantes deslocados de Gaza».

A abertura da Sala da Cidade está marcada para as 14h30. Nan Goldin apresenta «“Stendhal Syndrome”, uma obra intensa sobre o amor e a potência avassaladora da arte, construída a partir do entrelaçamento de imagens de obras-primas clássicas, renascentistas e barrocas com retratos íntimos de amigos, familiares e amantes», anuncia o CAPC. Depois, acrescenta, às 15h00 na Igreja de Santa Cruz, Vasco Araújo apresenta a performance Libertas (…) uma marcha coral coletiva construída a partir de “Va, pensiero”, de Giuseppe Verdi, envolvendo os participantes num gesto público sobre liberdade e poder.

A inauguração oficial no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova será às 17h00, sendo seguida, às 18h30, da performance Manifesto By Lyrics, um projeto que cruza arte, arquitetura e música, com Arno Brandlhuber, Constanze Haas e os músicos Manuel de Villiers, Jakob Deider e Fernando Oliveira.

O programa de sábado inclui ainda um jantar comunitário, a partir das 19h30, e uma festa de abertura, com concerto da banda Sereias, em parceria com o Jazz ao Centro Clu­be/Salão Brazil.
A bienal decorre até 5 de julho, podendo os interessados obter mais informações no site [www.anozero26bienaldecoimbra.pt].

Abril 7, 2026 . 08:40

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