
Da menina que queria jogar a selecionadora distrital
Está com as seleções femininas. Um desafio aliciante?
Bastante. Há aqui dentro uma menina que quis jogar e não tinha, num raio de 80 quilómetros, oportunidades para o fazer. Por isso, poder hoje acompanhar o crescimento do futebol feminino e dar essas oportunidades às mais jovens é algo muito especial. É um desafio exigente, mas também extremamente gratificante.
Trabalha-se bem nos clubes do distrito no que diz respeito ao futebol feminino?
Muito bem e não digo isto para ser politicamente correta. Há cada vez mais qualidade nas jogadoras que chegam aos Centros de Treinos. O crescimento é evidente, tanto em contextos exclusivamente femininos como em contextos mistos, que têm dado oportunidades a estas meninas e acreditado no seu valor e potencial.
Há cada vez mais meninas a praticar futebol e futsal. Que conselhos dá para as que ainda têm dúvidas por acharem que um desporto maioritariamente masculino?
É precisamente essa ideia que precisamos contrariar. O futebol e o futsal são para todos. Tem havido uma preocupação por parte da FPF em criar condições para um crescimento sustentado, com mais oportunidades e melhores contextos para as jogadoras, as Associações procuram também adequar os regulamentos de forma a criar melhor contexto para o desenvolvimento, e os clubes condições para que se sintam confortáveis e possam crescer. O mais importante é que experimentem e não deixem que esse “rótulo” seja um obstáculo.
As atletas partilham consigo o sonho de chegar longe na modalidade?
Várias. É algo natural para quem joga futebol e integra o contexto de seleção distrital acaba, inevitavelmente, por fazer a pergunta “será que consigo?”. Temos tido o orgulho de, todas as épocas, ver jogadoras do distrito serem chamadas às equipas nacionais. Este ano, quatro jogadoras - Beatriz Roque, Lara Nunes, Luciana Pereira e Matilde Pinto - integraram estágios da seleção sub-15, com destaque para a Matilde Pinto, que tem sido chamada de forma regular.
Que balanço faz da época nas seleções femininas e quais são os próximos desafios?
É sempre positivo, porque não podemos esquecer que estamos a trabalhar com jogadoras entre os 11 e os 15 anos. O foco principal é a formação e o desenvolvimento. Naturalmente, queremos sempre aliar isso a uma boa prestação, tanto em termos exibicionais como classificativos. Na seleção de Sub-16 havia uma grande expectativa, muito por causa de toda a preparação que foi feita e acreditávamos que era possível conquistar a Liga de Prata. Sabíamos, no entanto, que frente à Madeira teríamos um jogo muito exigente, até porque é uma seleção que nos últimos anos tem competido na Liga de Ouro. Foi um jogo equilibrado, decidido nos penáltis e acabámos por sair derrotados. Ainda assim, a reação da equipa foi positiva. Mostrámos caráter, vencemos os dois jogos seguintes e terminámos em 13.º. Ficou aquém do que ambicionávamos, mas isso não diminui em nada o valor nem o talento das jogadoras. Destaco as cerca de 80 atletas que passaram pelo Centro de Treinos e contribuíram para todo este processo. Já a seleção de Sub-14 vai disputar a Liga de Prata, entre os dias 7 e 10 de maio, em Bragança. Vamos começar esta semana com os jogos de preparação, para chegarmos o melhor preparadas possível à prova












