
Metrobus tem “problemas naturais da infância” que precisam de ser “afinados”
Leonel Serra diz que os problemas que têm existido no sistema de metrobus, desde que começou a circular em toda a sua extensão, resultam «de problemas de infância» de «um sistema que ainda está no seu início e a ser afinado» e que, portanto, «naturalmente tem falhas». No entanto, acredita que as pessoas olham cada vez mais para ele como «uma mais valia» no que respeita à mobilidade e uma forma de reduzir o número de carros em meio urbano.
O novo presidente do Conselho de Administração da Metro Mondego falava ontem com o Diário de Coimbra, momentos após ter sido aprovado, por unanimidade, em Assembleia Geral da empresa, o seu nome para substituir João Marrana no cargo, assumindo que conseguir que as pessoas olhem para o metrobus como um «sistema fiável, cómodo e limpo» é um dos grandes objetivos para o seu mandato.
«É um cargo desafiante», confessa, apontando ainda a necessidade, para a credibilidade do sistema, que sejam concluídas as obras do troço urbano, até Coimbra B e aos hospitais, «sem deixar escorregar prazos».
Quanto à utilidade do metrobus, Leonel Serra não tem dúvidas. Enquanto anterior membro do Conselho de Administração (foi vogal na presidência de João Rebelo), quanto atual presidente da Metro Mondego e, especialmente, enquanto utilizador do sistema.
«Trabalho na CP, na Baixa, e moro na Solum. Sou utilizador do metrobus e ele funciona bem», garante o responsável, recordando que, neste momento, demora «nove minutos a atravessar a cidade», num percurso em que antes demorava «meia hora». Sem ter de se preocupar em estacionar. «Para além de ser menos um carro a circular», continua, recordando uma das principais missões do sistema.
Engenheiro da CP e, portanto, habituado à ferrovia, Leonel Serra não vê qualquer problema no facto de o Sistema de Mobilidade do Mondego ter como base veículos elétricos “com rodas”. «É o que temos», resume, acreditando que, para os utilizadores, interessa, mais do que isso, «ter um sistema fiável que lhe permita chegar do ponto A ao ponto B» num transporte «fiável, cómodo e limpo». Sem negar os problemas que têm existido neste arranque - que considera fruto de ser um sistema que está dar os primeiros passos - Leonel Serra mostra-se muito confiante de que o metrobus irá cumprir o seu papel, confessando o seu orgulho por poder liderar o processo.
“É alguém que nos transmite confiança”
Confiança é também o que transmite para autarcas e responsáveis da Metro Mondego a nomeação de Leonel Serra. «É alguém que nos transmite confiança e é alguém que conhece a casa. Estamos satisfeitos com a escolha do Governo», disse Victor Carvalho, presidente da Câmara Municipal da Lousã e agora também presidente da Assembleia Geral da Metro Mondego, que confirmou o nome de Leonel Serra, para presidir àquela estrutura (como o Diário de Coimbra já tinha avançado na sua edição de ontem).
Leonel Serra, que já tinha sido vogal da Metro Mondego no passado, foi ontem aprovado por unanimidade em assembleia geral da Metro Mondego, substituindo João Marrana que, desde 2019, liderava a empresa responsável pela implementação do metrobus nos concelhos de Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra,
O novo presidente da Metro Mondego irá, assim, cumprir um mandato de três anos. Com ele estarão os dois vogais nomeados em setembro pelo Governo – Cristina Agreira e Ricardo Cândido – que se mantêm nas funções, afirmou Victor Carvalho. A mesa da assembleia geral passa a ser presidida por Victor Carvalho e terá como vice-presidente José Miguel Ramos Ferreira (presidente da Câmara de Miranda do Corvo), mantendo-se Sónia Serrano Pujalrás como secretária do órgão, referiu.
Cristina Agreira e Ricardo Cândido, nomeados em setembro, mantêm-se como vogais da Metro Mondego
Tudo indica que no mandato que agora se inicia o Conselho de Administração da Metro Mondego verá concluídas as obras de construção do Sistema de Mobilidade do Mondego, que se iniciaram com a assinatura do auto de consignação do troço entre Serpins (Lousã) e o Alto de São João (Coimbra), em setembro de 2020.
Também deverão começar a ser discutidas expansões do sistema, já defendidas pelo município de Coimbra e pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra.
«Primeiro, há que fechar as obras na malha urbana, mas queremos dar início a estudos de alargamento a outros concelhos. É algo que está em cima da mesa e começaremos a avaliar essas possibilidades», disse Victor Carvalho.
Segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), está previsto que o troço entre a Portagem (Coimbra) e a estação ferroviária de Coimbra-B possa estar concluído até agosto, assim como o troço da linha do hospital até à Praça da República.
No início de 2027, deverá ficar operacional toda a linha do hospital, com a conclusão do troço entre a Praça da República e os Hospitais da Universidade de Coimbra.
A Metro Mondego já está a operar desde dezembro na linha suburbana, que serve Miranda do Corvo e Lousã, e no troço urbano entre o Alto de São João e a Portagem, desde setembro. Entre 01 de janeiro e meados de março, a Metro Mondego registou meio milhão de validações de títulos de viagem.












