
Cernache e Botão elevadas a vila
Cernache e Botão, em Coimbra, recuperaram hoje o estatuto de vila, ao verem ser votados na Assembleia da República os respetivos diplomas que aprovam a elevação das duas localidades do concelho de Coimbra ao estatudo que já tiveram há séculos atrás.
Depois de, durante a manhã, o executivo de Cernache, liderado por Marta Ferro, ter falado ao Diário de Coimbra num «dia histórico» para a freguesia, também João Paulino, presidente da União de Freguesias de Souselas e Botão, confessava a alegria por esta conquista que remata um processo iniciado há ano e meio pelo Grupo Parlamentar do PS de Coimbra para que Botão possa voltar a ser considerado vila.
Recorde-se que Botão já tinha sido vila e sede de concelho entre 1514 e o início do século XIX, numa altura em que tinha 935 habitantes. Hoje, esta elevação a vila é, para João Paulino, uma forma de Botão poder «tornar mais visível» um património «vasto e rico» da freguesia e, portanto, toda a riqueza de uma freguesia agora incluida na União de Souselas e Botão.
Apesar de esta elevação não trazer «benefícios financeiros», a elevação hoje conquistada irá ser celebrada por toda a população ainda este mês, numa altura em que a União de Freguesias apresentará publicamente duas novas rotas: a da Água, que dará a conhecer os vários fontanários existentes no Botão; e o do Vinho, uma vez que a agora vila está incluida no território da Bairrada e tem vários vinhedos que produzem vinho. Aliás, hoje foi levado pela comitiva até Lisboa um vinho chamado Botão, produzido naquele território.
"Correção de uma injustiça histórica"
"Hoje é um dia verdadeiramente histórico para Cernache, que irá recuperar o estatuto de vila, perdido em 1836", confessava o executivo de Cernache, em comunicado enviado ao nosso jornal antes da «tão desejada reposição». População e responsáveis políticos da freguesia do concelho de Coimbra consideram ser a «correção de uma injustiça histórica e da restituição de um estatuto que Cernache nunca deveria ter perdido».
«Este é, por isso, um dia de celebração para todos os cernachenses», resume-se a Junta de Freguesia, aproveitando para fazer um enquadramento histórico, mas também social e geográfico desta «“antiga” vila do concelho de Coimbra», elevada a vila «por carta de D. João I, em 1420, tendo recebido foral em 1514». «Nesse contexto, tornou-se sede de concelho, com ampla jurisdição e significativa autonomia face a Coimbra. Rica, fértil e estratégica, era reconhecida pelos monarcas como um território de grande valor», avança a autarquia.
«Contudo, o Decreto de 6 de novembro de 1836, no âmbito da reforma administrativa de Passos Manuel, levou à extinção do seu concelho, à semelhança de cerca de 498 outros, corrigindo algumas situações, mas criando também diversas injustiças — entre as quais a perda do seu estatuto».
«Hoje, essa injustiça começa finalmente a ser reparada», continua a Junta de Freguesia de Cernache, cujo executivo está em Lisboa para assistir a mais este marco histórico. No Parlamento estarão a presidente, da junta, Marta Ferro, o secretário, Armando Sousa, e o tesoureiro, Pedro Rosário, bem como pelo presidente da Assembleia de Freguesia, Marco Rodrigues.











