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“É preciso ser crítico para que haja realmente amor à cultura"

Luís Varatojo é uma das vozes de “Peste & Sida” e “Despe & Siga” e tem concerto marcado para amanhã, no Salão Brazil. “Contrafação” é o disco que leva a palco em Coimbra

O projeto “Luta Livre”, de Luís Varatojo, já leva alguns anos de experiência e, com eles, três álbuns lançados. O mais recente, “Contrafação”, foi estreado em outubro do ano passado, mas só este mês arrancou para uma «curta digressão» que conta com apenas quatro datas. Coimbra, mais propriamente o Salão Brazil, é data de encerramento e, simultaneamente, de estreia de Varatojo nesta sala de espetáculos.
«Já atuei imensas vezes em Coimbra, desde a altura dos Peste & Sida. Mas a verdade é que o Salão Brazil já está aberto há alguns anos e nunca lá atuei», sublinhou o músico, em conversa com o Diário de Coimbra. Num diálogo intimista e dedicado ao momento em que atravessa, o artista revelou alguns detalhes do seu mais recente trabalho (Luta Livre) que, apesar de apenas se ter dado a conhecer ao público em 2021, já era “cogitado” desde meados dos anos 2010’s.
«Passei por vários projetos e quando “fechei o ciclo” de Fandango comecei logo a escrever, porque gosto de escrever», explicou, manifestando que sente que é importante manter essa rotina, mesmo que no final do dia «se mande tudo fora», tal como fazia Lobo Antunes.
Durante este tempo, principalmente desde o lançamento do último álbum, “Defesa Pessoal”, Varatojo dedicou-se a escrever um conjunto de músicas que se desenvolvem entre «críticas e amor a Portugal», situações que se interligam através de ideias em cadeia. «É preciso criticar para haver amor à cultura, amor verdadeiro pela cultura. É preciso analisar tudo. A Amália Rodrigues, nos anos 60, quebrou [os cânones] tradicionais do fado e reinventou-o, mesmo que tenha sido criticada [na altura]», defendeu.

“O nome do álbum surge quase por acaso, mas é uma palavra que gostei imenso: Contrafação”

As análises neste “Contrafação”, porém, vão além da cultura e, também, da própria crítica. «Há uma componente muito forte de amor porque eu gosto muito de Portugal. Mas tenho visto certos padrões que me preocupam», afirmou. Dois destes padrões são o crescimento da agricultura em massa e da destruição de espaços culturais para construção de alojamentos locais e hotéis. «É claro que o pessoal da cultura acredita que os seus espaços deviam estar protegidos. Mas também pensamos que são uma mais valia para o turismo [razão da construção dos alojamentos locais] porque nós quando vamos fora do país vamos pela cultura, não para entrar nas lojas que também cá existem», exprimiu.

Estreia sem ser estreia
No que toca à atuação, onde sobe a palco pelas 21h00 de amanhã, o artista celebra com um «espetáculo a três tempos», que atravessa momentos distintos que levam o público numa viagem que começa introspetiva, passa pela «reação» e termina numa «pista de dança» com músicas com um ritmo «chamativo».
Como não podia deixar de ser, Luís Varatojo analisou a escolha de “Contrafação” como o nome do álbum, palavra que diz «assentar perfeitamente» como título. «No final de ter o disco pronto procurei um nome, como sempre, e deparei-me com essa palavra. Percebi que era a certa porque surge por acaso, mas é uma palavra que gostei imenso. “Contrafação” tem vários significados, como cópia ou falso, e pode ser dividida em “contra” e “fação”, temas que se ligam com a atualidade», revelou. As canções apresentadas enaltecem as características do título escolhido, alterando entre músicas de amor, crítica, intervenção e, ainda, uma “morna”, estilo de música cabo-verdiano.
Dentro da mostra apresentada, admitiu que não consegue escolher um tema que se “destaque”, refletindo que todos se ligam entre si e, por isso, todos são importantes. «Há muita música que acabou por ficar fora do álbum. No processo de “curadoria” acabei por escolher estas, que acredito serem as melhores dentro da minha intenção. Isso significa que todas têm a mesma importância discográfica e que gosto de todas por igual», afirmou.
Este disco já se encontra em digressão desde dia 14 de março (Barreiro), tendo passado por Lisboa e Porto, terminando a exposição no sábado, em Coimbra, no Salão Brazil, onde Luís Varatojo fará a sua “estreia”.

Março 27, 2026 . 09:40

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